Ex-colônia de “leprosos”, condado no Havaí tenta ser o último a sofrer com o coronavírus

Localizada na pequena ilha de Molokai, sua única cidade, Kalaupapa, só pode ser alcançada descendo penhascos de 500 metros.


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Foto: M.L. Lyke for The Washington Post

O coronavírus atingiu agora todos os condados dos Estados Unidos – até mesmo um posto avançado havaiano remoto que era o último reduto remanescente. Até recentemente, o Condado de Kalawao, que tem menos de 100 residentes e foi usado como colônia de doentes de hanseníase (conhecida antigamente por lepra) por décadas, era o único condado do país que não havia relatado um único caso de Covid-19.

Mas mesmo estando tão isolado do restante do mundo, ao ponto de suprimentos básicos precisarem ser levados de barcaça uma vez por ano, o vírus ainda conseguiu chegar lá, como relatou o Wall Street Journal na quinta-feira.

De acordo com as autoridades de saúde do Havaí, um residente que viajou para fora da comunidade testou positivo depois de voar para casa em dezembro, encerrando a corrida impressionante do Condado de Kalawao. O que poderia ter sido um surto desastroso foi evitado por pouco, porque aquele indivíduo seguiu as diretrizes de auto-quarentena do condado na chegada – assim como os outros passageiros que com quem ele tiveram contato próximo durante o voo.

O fato de o Condado de Kalawao ter permanecido livre de vírus por tanto tempo pode ser parcialmente atribuído à geografia. Localizada na pequena ilha de Molokai, sua única cidade, Kalaupapa, só pode ser alcançada descendo penhascos de 500 metros, pegando um voo raro em um pequeno avião ou fazendo uma árdua viagem de quase 5 km de mula.

Essa reclusão também explica sua dolorosa história: em 1865, o Havaí decidiu que qualquer pessoa com diagnóstico de lepra – agora conhecida como hanseníase – seria exilada para o resto da vida.

Milhares de pacientes nunca tiveram permissão para deixar o pequeno local e só podiam interagir com os parentes visitantes por meio de uma tela de arame. Embora alguns acabassem se casando com outros pacientes e fazendo o melhor para levar uma vida normal, os pais muitas vezes levavam seus bebês recém-nascidos para um berçário por medo de que a doença pudesse ser transmitida a um filho.

Em 1969, após a introdução da cura para a hanseníase, o Havaí finalmente derrubou a política de quarentena obrigatória. Mas alguns pacientes optaram por ficar na ilha porque se acostumaram ao estilo de vida e temiam o estigma que poderiam enfrentar em outro lugar. Embora a maior parte do Condado de Kalawao seja agora um parque nacional, cerca de uma dúzia de sobreviventes ainda vive lá hoje, sob os cuidados do Estado.

Fonte: Estadão

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