Executivo diz que será injustiça interditar a BRF e Minuano: “Não podemos ser de tal forma extremistas”

"Quando se exagera, nós acabamos gerando até injustiça quando, na realidade, nós precisamos de Justiça", afirma o diretor da Associação Gaúcha de Avicultura.


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José Eduardo dos Santos (Foto: Divulgação)

O diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, criticou o pedido de interdição das empresas de Lajeado BRF e Minuano, responsáveis por sete mil empregos diretos e indiretos na região, apresentado à Justiça pelo Ministério Público nesta segunda-feira (4). “Não podemos ser de tal forma extremistas no sentido de interditar indústrias que acaba se tornando uma injustiça”, afirma. “Quando se exagera, nós acabamos gerando até injustiça quando, na realidade, nós precisamos de Justiça.”


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Em entrevista no Rádio Repórter, Santos ressaltou que a interdição vai causar problemas logísticos, de campo, de fluxo industrial e aparelhamento das indústrias. “O problema operacional e logístico que isso vai gerar para a indústria vai afetar o abastecimento do mercado. Nós temos animais no campo também que requer todo um fluxo produtivo para que esse animal vá para o abate e não gere gere problemas sanitários”, lembra.

“No momento em que nós temos temos a incidência da Covid-19 em nossas indústrias, nós somos mais visados porque é um setor que, além de produzir alimentos em larga escala, ele também gera empregos e atividades em larga escala”, analisa. “Mas isso não quer dizer que o setor seja relapso na aplicação dos protocolos de saúde e contingenciamento para conter o novo coronavírus”, destaca.

Conforme ele, apesar do registro de casos nas empresas BRF e Minuano, os números já estão caindo em uma delas, pelo menos, reflexo de medidas de segurança sanitária adotadas, avalia. “Vem caindo a curva de contaminação. Isso vem comprovando que há eficácia nas medidas, sem a necessidade de interditar”, acredita.

O executivo ressalta que, no âmbito geral do país, o Rio Grande do Sul está em 12º em contaminações e óbitos pelo novo coronavírus (Covid-19). “Há uma posição firme do nosso governo do estado nos critérios de classificações de regiões”, pontua Santos.

Antes de que se determine a interdição, “devemos avaliar todo o cenário que envolve os trabalhadores, tanto da indústria como da produção rural”, defende. “Temos que avaliar o cenário da produção de alimentos e o desenvolvendo socioeconômico não só da região, mas como do Rio Grande do Sul como um todo”, afirma.

Santos diz que respeita a atuação do Ministério Público ao pedir a interdição, mas diz que é preciso repensar o papel da Justiça para que não cometa uma injustiça com um ramo industrial que, mesmo antes da pandemia, já adota sistemas de controle de higiene na sua produção. “Temos que olhar no cenário mais amplo e ver quais serão as consequências de uma interdição, acima de tudo existe uma responsabilidade”, diz.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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