“Existe uma quadrilha formada em cima disso, com o envolvimento de familiares”, diz irmão de teutoniense morto no Pará

Raul Alberto Wolf foi executado em novembro de 2019, no norte do país


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Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Na manhã desta sexta-feira (14), a Polícia Civil do Pará prendeu um dos suspeitos da morte do empresário teutoniense Raul Alberto Wolf. Ele foi executado com tiros na nuca na garagem de um hotel onde estava hospedado, em Marabá, no sudeste do Pará. A Operação Gambit investiga as circunstâncias do homicídio ocorrido em 10 de novembro de 2019.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. As ações aconteceram nas cidade de Tucumã (PA) e Ourilândia do Norte (PA), na casa de um dos investigados, em residências, em uma empresa de contabilidade e nas dependências da Construtora e Britagem Milanos, da qual a vítima tinha parte. De acordo com o delegado Tony Vargas, titular da Delegacia de Homicídios de Marabá, as investigações indicam que o crime teria sido motivado por ambições empresariais entre os sócios.

Para a família de Wolf, o crime foi motivado por uma ganância financeira e é considerado uma queima de arquivo. Em contato com a reportagem do Grupo Independente, o irmão Carlos Edvino Wolf disse que Raul havia descoberto desvios importante na empresa, que representam números na casa de sete a oito dígitos.“Antes de ser assassinado, ele teve uma conversa com meu pai e aí definiram que a pessoa presa hoje ia ser afastado do cargo de administrador da empresa. Além disso, alguns familiares também estavam se sentido lesados por meu pai ter vendido o maior patrimônio que ele tinha para o meu irmão”, explica.

Segundo Carlos, o suspeito teria apresentado balanços financeiros fraudulentos, com ‘números maquiados’. “Existe uma quadrilha formada em cima disso, com o envolvimento de familiares. Inclusive, um familiar nosso que não participou no velório do meu irmão, é suspeito. Ele até mesmo é testemunha deste sócio preso num outro processo contra a própria família.”, conta o irmão da vítima.

Logo após o crime, Carlos viajou até o Pará e permaneceu no norte do país por 60 dias, na tentativa de juntar documentos, mas teve acesso apenas a documentos falsificados. Durante o período, ele chegou a ser ameaçado por uma pessoa ligada ao indivíduo preso nesta sexta-feira. “Eu gravei uma conversa em que o gerente do banco disse para mim que esse sócio teria pedido para não me passar nada de documentos”, lembra.

Ele conta ainda que os desvios aconteciam desde 2010. Para Carlos, o irmão havia descoberto apenas a ‘ponta do iceberg’ e que acabou chegando ao conhecimento de todo o resto que estava ‘embaixo da água’. “O estranho é que, enquanto a empresa estava com dívidas, os outros sócios tinham patrimônios grandes, casa nova, andavam em carros novos, de luxo… e a empresa sempre falida.”

Conforme o familiar, apenas no último ano, o suspeito preso na investigação teria desviado R$ 1,5 milhão, sendo os números anteriores ainda maiores. “Nós apanhamos de muita gente poderosa e perigosa até agora, mas acreditamos que a justiça está do nosso lado, pois em momento algum erramos alguma coisa. Até hoje não tivemos acesso a dinheiro, documentos e nada da empresa”, conclui.

Texto: Artur Dullius
am950@independente.com.br

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