Exposição fotográfica celebra o dia 8 de março e destaca trabalho das mulheres rurais em Arroio do Meio

Movimento das Mulheres atua no município desde 1980. As fotos ficam expostas até o dia 27 em diferentes locais da cidade, começando pela prefeitura


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Proposta busca destacar mulheres em diferentes áreas da produção rural,(Foto: Gabriela Hautrive)

O dia 8 de março, data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, conta com muitos significados, envolvendo lutas, conquistas e comemorações. Em Arroio do Meio, o Movimento de Mulheres Rurais, que atua em prol da causa feminina desde a década de 80, promove uma exposição fotográfica para homenagear quem trabalha em propriedades rurais do município. Tradicionalmente é feito um evento com trabalhadoras de Arroio do Meio, Capitão e Travesseiro, mas neste ano, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus e classificação de bandeira preta no Rio Grande do Sul, o evento precisou ser adaptado.


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Exposição fotográfica está disponíveis na prefeitura desde esta segunda-feira (8) (Foto: Gabriela Hautrive)
Exposição fotográfica está disponíveis na prefeitura desde esta segunda-feira (8) (Foto: Gabriela Hautrive)

Segundo uma das integrantes do grupo, Gládis Saatkamp Lavarda, o primeiro dia da exposição fotográfica foi nesta segunda-feira (8) na Prefeitura de Arroio do Meio. A proposta busca destacar mulheres em diferentes áreas da produção rural, criação de peixes, abelhas, produção de verduras, frutas, agroindústrias, leite, suínos e frangos. “Fomos em todas comunidades do município e conseguimos fazer uma ou duas fotos de mulheres apresentando o trabalho delas”, relata. Ao todo foram 36 imagens feitas para exposição.

O projeto tem iniciativa da Extensionista Social Rural da Emater, Márcia Fonseca e conta com parceria do poder público de Arroio do Meio e Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), como cita o presidente da entidade, Astor Klaus. “Ajudamos com estrutura, pois o movimento é autônomo na organização. Apoiamos na locomoção com os veículos, xerox e materiais impressos, mas o Movimento das Mulheres tem muita importância para o sindicato, surgiram nos anos 80 e desde lá a mulher participa, tendo sua voz e vez.”

As integrantes do projeto explicam que o trabalho das mulheres rurais parece nunca ser reconhecido, pois fazem tarefas domésticas, cuidam dos filhos, jardim, horta e ainda contribuem no trato dos animais e serviços da roça, como relata Gládis. “Com a pandemia elas continuam trabalhando, não tem como parar, não conseguem mudar a rotina, pois trabalham com alguma área específica e ainda o alimento que é produzido na propriedade para consumo da família”.

Presidente do STR, Astor Klaus, Marlene (c) e Gládis (Foto: Gabriela Hautrive)

É através das fotos que o movimento deseja mostrar o trabalho da mulher no meio rural, com o tema “Mulheres trabalhadoras rurais em tempos de pandemia, o tempo todo em todas as atividades”. Conforme a coordenadora do grupo, Marlene Berwanger Grassi, a luta por conquistas através do Movimento de Mulheres começou em 1984 e completou 35 anos em 2020, por conta das dificuldades que as trabalhadoras enfrentavam. “Ela não era reconhecida como profissão, era doméstica ou mão de obra não ativa, junto com os idosos, segundo censo do IBGE”, explica.

Coordenadora do Movimento, Marlene Berwanger Grassi e Gládis Saatkamp Lavarda (Foto: Gabriela Hautrive)
Coordenadora do Movimento, Marlene Berwanger Grassi e Gládis Saatkamp Lavarda (Foto: Gabriela Hautrive)

Devido a esse cenário, Marlene conta que a mulher precisou mostrar na prática a importância de sua atividade. “Várias foram as lutas, passeatas, reuniões, encontros e abaixo-assinados, sendo a primeira conquista em 1987 sobre acidente de trabalho e 1988 a profissão do trabalho rural, assegurando seus direitos, como a aposentadoria”, conta. Neste ano, a exposição fotográfica para marcar a data fica até o dia 12 de março na sede da prefeitura. Entre os dias 14 e 19 estará na agência da Cooperativa Sicredi, na entrada de Arroio do Meio, e a na semana de 22 a 27 de março no Supermercado Languiru do município.

Protesto por ato ocorrido em Nova York

No dia 8 de março, no ano de 1857, as operárias de uma fábrica em Nova York entraram em greve para reivindicar a redução do horário de trabalho, o direito à licença-maternidade e a equiparação de seus salários aos dos homens. As mulheres foram trancadas na fábrica e, devido a um incêndio, 129 delas morreram. Esse marco também é lembrado pelo Movimento de Mulheres Rurais de Arroio do Meio.

Conforme Marlene, é um dia de luta, de lembrarmos da história e reafirmar a determinação das mulheres de seguir em frente organizando, discutindo e lutando pela igualdade. “Insisto em dizer que o dia 8 de março é um dia de luta, de resistência, de comemoração também, mas em virtude da dignidade e dos direitos da mulher.”

História

O Dia Internacional da Mulher ou Dia da Mulher é comemorado anualmente em 8 de março, e não é considerado um feriado nacional. Trata-se de uma celebração de conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, sendo adotado pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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