Fake da Tapioca

Anda por aí noticias sobre intoxicação com tapioca. É “fake” e vamos ver por que.


0
Foto: Divulgação

 

A tapioca é comida de origem indígena e feita com amido ou fécula de mandioca (polvilho, goma ou biju).

O maior consumidor do Brasil é o Ceará seguido do Pará e Pernambuco. Comida típica e comum do nordeste e se espalhou por todo o país. Ganhou outro patamar de comida passando a “prato fino” e saudável.

O que era feito com manteiga, queijo, e coco ralado ganharam novos ingredientes: banana, chocolate, carnes, leite condensado, doce de leite e outros recheios. Há diversas receitas disponíveis na internet. Lembro que 100 g têm ao redor de 347 calorias dependendo do recheio pode ser mais.

Mas a historia da intoxicação deve ter surgido a partir de um caso lá em fevereiro de 2007 em Sobral no Ceará. Um grupo de 50 pessoas sentiram sintomas de náuseas, vômito, diarreia, tontura e dor abdominal depois de terem comido tapioca. Mas feitas as averiguações chegaram à conclusão que houve misturas de farinhas e aí aconteceu a contaminação.

Nas análises apareceu o agrotóxico Metomil- Carbamato. Produto não autorizado para uso em mandioca. Tudo indica que a contaminação ocorreu no preparo já que a farinha original vinda do Paraná estava de acordo com as normas sanitárias.

A Associação dos Consumidores-PROTESTE em 2016 fez testes em algumas marcas de tapioca vendidas no Brasil. Cinco delas não passaram no teste devido principalmente pela concentração de sódio (sal) mais alta que o permitido. Isto mostra a importância do rótulo que tem as informações nutricionais e a origem para poder ser avaliada e comparada.

Como a tapioca e derivada da mandioca muitos conhecem a antiga “mandioca brava” que praticamente não se encontra mais. Ela sim tem ácido cianídrico em quantidade elevada. As atuais mandiocas que são comercializadas têm pouco de ácido.

As folhas e raízes tem “glicocianetos” que liberam ácido cianídrico substância tóxicas. Se comida direta por animais intoxica e pode até matar principalmente pequenos animais como cabrito, terneiros etc. Os agricultores que cortam mandioca em pedaços e deixam “descansar” está certo, assim o ácido evapora e não faz mal.

Para que não aconteça é preciso triturar as folhas ou picar as raízes e deixar na sombra por 24 horas. Isto fará com que o ácido evapore. No caso dos humanos quando cozinhamos o ácido evapora. O mesmo ocorrendo na fabricação da farinha, ou quando frita ou assa. A temperatura passando de 26°C o ácido cianídrico evapora.

Já quem prepara multimistura e usa as folhas de mandioca deve ter um pouco de cuidado. Deve seguir o seguinte processo: picar as folhas, lavar, secar na sombra e depois fazer o pó. Desta forma elimina a maior concentração de ácido cianídrico, para que não fique maior que 4 ppm por mg/ kg permitido na legislação.

Depois disto confirmo intoxicação com tapioca é “FAKE” falso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui