Falta de qualificação leva à baixa produtividade e atrasa retomada econômica brasileira, analisa economista

Eloni Salvi lembra que 51% da população não têm Ensino Fundamental completo


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Economista e professor universitário Eloni Salvi (Foto: Tiago Silva)

O cenário econômico brasileiro foi pauta da entrevista do Troca de Ideias desta terça-feira (28) com o economista e professor universitário Eloni Salvi. Conforme ele, o país já vinha de um momento econômico ruim, que foi agravado com a pandemia de coronavírus. “Tudo tem a ver com aquela gota d’água que faz o copo transbordar. Certas coisas estão no seu limite, e você coloca mais uma gotinha e as coisas acontecem”, comenta.

Salvi diz que a velocidade da retomada tem relação com a variável comportamental. A expectativa negativa interfere nos investimentos e nas compras, e os consumidores e investidores se retraem. Isso faz com que a saída da crise fique mais lenta, pontua.

Na opinião do economista, o Brasil escolheu o pior caminho no combate à pandemia. As restrições, nos momentos mais delicados da crise de saúde, foram brandas se comparadas a outros países. “Resolvemos manter o problema por mais tempo”, afirma Salvi, para quem se tivesse sido enfrentado mais no início, a economia estaria melhor atualmente.

O analista percebe que alguns setores tiveram bons desempenhos, como a indústria. Porém, comércio, serviços, turismo e entretenimento foram afetados dramaticamente e ainda sofrem as consequências. São áreas demandam um grande volume de mão de obra.

Por outro lado, Salvi lembra que houve aumento considerável de custos com energia elétrica, em função do problema hídrico, e dos combustíveis. Ele aponta que o Brasil não é autossuficiente nessa área, pois a sua matriz depende do comércio internacional.

“As coisas são muito complexas, não se resolvem muito fácil. Não existe solução mágica”, afirma. De acordo com ele, o Brasil tem um problema crônico de baixa produtividade, que se relaciona com o nível educacional. O economista cita que 51% da população não têm Ensino Fundamental completo. No atual mundo do trabalho, em que a atividade intelectual tem cada vez mais peso, esse indicador explica a baixa produtividade, a baixa remuneração e os altos índices de desemprego.

Salvi lembra que uma das áreas que mais contratam atualmente é a tecnologia da informação. Porém, não há mão de obra qualificada para assumir as vagas. O analista lamenta menos de 20% dos jovens estão nas universidades – na Colômbia, por exemplo, chega a 40%. “Uma pessoa com Ensino Superior ganha três vezes mais do quem tem apenas o Ensino Médio”, informa.

Conforme ele, quem tem mais qualificação se adapta melhor ao mercado de trabalho. “O conhecimento é universal. O conhecimento desperta, abre a mente e conecta oportunidades”, ressalta.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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