Família que sobrevive de brechó em Arroio do Meio precisa de local para manter espaço em funcionamento

Cristian Santos (27) possui câncer raro e com o empreendimento sua esposa achou uma forma de ter renda. Paróquia precisa da sala e por isso terão que sair do prédio


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Cristian Santos e sua família (Foto: Gabriela Hautrive)

Desde agosto de 2020 a reportagem da Rádio Independente acompanha o caso de Cristian Santos (28) e sua família, composta pela esposa Graziela Santos (41) e os filhos Davi e Milena, de 4 e 3 anos, respectivamente. Eles residiam em Arroio do Meio, no Bairro Navegantes, quando Santos descobriu um tumor raro no coração, sendo o 5º paciente no mundo com esse tipo de câncer. Após passar por cirurgias e se recuperar, apareceu um novo tumor e a luta continuou. Atualmente residindo em Lajeado, com problemas financeiros e impossibilitado de trabalhar, Graziela buscou em um brechó, localizado no Centro de Arroio do Meio, uma forma de arcar com as despesas da família, alinhado ao salário mínimo que Santos recebe do INSS.


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Recentemente, a família foi comunicada que terá que entregar a sala para a Paróquia Nossa Senhora Perpétuo Socorro, por conta de aulas de catequese que serão ministradas para alunos com necessidades especiais no espaço. Grazi conta que ficou desesperada quando soube da informação, sendo que o prazo para deixar o local se encerra no próximo sábado (19). “Não sabemos por onde começar, temos pessoas que estão auxiliando, tentando achar um lugar, mas até agora não houve sucesso, tudo é não”, conta.

Foi oferecido inclusive um pagamento de aluguel para paróquia, porém não seria esse o problema, e sim a ocupação do espaço. “Pessoal já acostumou com o brechó a população de Arroio do Meio aderiu a ideia. A gente não quer tirar nada de ninguém, só queremos dignidade, não vivemos a vida inteira de doações”, pondera.

Roupas do brechó variam entre R$ 10 e R$ 30 (Foto: Gabriela Hautrive)

Segundo Grazi, a família não precisa de alimentos, pois receberam doações, mas existem muitas outras despesas, como água, luz e o próprio tratamento do seu esposo que necessita de medicações. “A gente precisa é sobreviver mesmo”, completa. A ideia é que o local permaneça em Arroio do Meio, por isso o pedido de ajuda para que alguém possa disponibilizar um espaço ou ajudar com o pagamento de aluguel em outro local. “Vendemos as peças a R$ 10, R$ 15, o mais caro é R$ 30 que são peças novas, então até tu conseguir juntar o valor para pagar um aluguel é complicado.”

Quem deseja ajudar pode entrar em contato com a família pelo número (51) 9 8030-5163 ou então ir até o brechó no porão do Salão Paroquial, na Rua São João, Centro de Arroio do Meio.

Brechó está localizado na área central de Arroio do Meio (Foto: Gabriela Hautrive)

“Cada dia que ele acorda, que ele está bem, é uma vitória”

Conforme Grazi, a situação de Cristian Santos é bastante delicada em decorrência da doença. “As médicas de Lajeado e Porto Alegre já falaram que não tem cura e não sabem dizer o tempo de vida que ele tem porque é muito raro, elas não sabem lidar com isso. Um transplante ele não pode fazer porque o tumor pode tomar conta nesse período”, conta.

Diante da situação, ela disse que vive um dia de cada vez. “Cada diz que ele acorda, que ele está bem, é uma vitória. A gente espera muito, que Deus dê um milagre e que ele se cure, mas até esse dia chegar a gente não pode se entregar, temos que lutar.”

Paróquia busca espaço pela acessibilidade

O padre Alfonso Antoni, que é o pároco da Paróquia Nossa Senhora Perpétuo Socorro, na qual pertence a sala onde funciona o brechó, diz que tem acompanhado a situação da família desde o começo e a comunidade abraçou as iniciativas. Em relação ao espaço cedido a cerca de 1 ano e meio, ele ressalta que estava combinado que quando fosse preciso a paróquia pediria para desocupar o local. “No início foi em um sábado a realização do brechó, foi bom, e depois foi ficando, e desde o começo a nossa combinação foi que quando fosse preciso nós iria requerer”, explica.


o que diz o pároco

 


Diante disso, com a retomada do ano e aumento das turmas de catequese em razão da covid-19, o padre informa que é preciso ocupar a sala. “Especialmente em função da acessibilidade, a nossa sala onde funciona a catequese tem uma escada alta”, relata. Ele também fala sobre o espaço atual não comportar todos os alunos, e nesse sentido resolveu conversar com a família para que possam continuar o brechó em outro local. “Não se trata de nenhuma questão de aluguel e sim uma necessidade da paróquia.”

Além disso, Antoni também se colocou a disposição de continuar ajudando a família e toda comunidade carente da cidade no que for preciso.

Relembre o caso de Cristian Santos

Em 2021 a família se mudou para Lajeado, com moradia no Bairro Conventos. Após ter feito uma cirurgia de alto risco em dezembro de 2020, Cristian era considerado curado por médicos de Porto Alegre, local em que fez o procedimento, porém, em março de 2021, descobriu um novo tumor no coração. Foram muitas dificuldades e batalhas enfrentadas neste período até o primeiro processo de cura. Entre eles, recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que não eram liberados, ajuda de voluntários para pagar aluguel, auxílio para alimentação e para manter as contas em dia.

Na véspera do Natal de 2020, a história parecia estar tendo um desfecho feliz quando Santos passou por um procedimento cirúrgico de alto risco, recebeu alta hospitalar e conseguiu passar a data com a família, resumindo aquele momento como “o melhor natal de suas vidas”. Depois disso, Santos descobriu um novo tumor, no pulmão, passa por diversos exames mensais, além de todo tratamento que a doença exige.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

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