Famílias vendem crianças para sobreviver no Afeganistão

Situação no país ficou ainda mais caótica desde que o Talibã voltou ao poder em agosto. E a escassez de meios de sobrevivência tem levado pais e mães a venderem tudo, inclusive os próprios filhos


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Uma bandeira do Talibã é colocada na frente de uma motocicleta em Cabul, Afeganistão, em foto de 28 de setembro de 2021 (Foto: Bernat Armangue/AP)

Com uma crise econômica que já dura décadas, fortemente atingido por uma longa seca e com o Talibã de volta ao poder após quase 20 anos, em meados de agosto, o Afeganistão tem vivido dias cada vez mais sombrios. Enquanto o regime ainda busca reconhecimento internacional e, ao mesmo tempo, encara a situação degradante do país, os pobres pagam o preço mais alto.

Algumas famílias enfrentam tamanha dificuldade que não têm outra alternativa a não ser vender os próprios filhos para pagar dívidas. Mohammad Ibrahim, um residente de Cabul, disse à DW que, sem outra opção para quitar um débito que a família tinha e ter a casa queimada, aceitou negociar a filha de 7 anos.

“Uma pessoa veio e me disse para pagar a dívida ou ‘queimarei sua casa até virar cinzas'”, disse Ibrahim. Em contrapartida, foi-lhe oferecida a chance de “desistir de sua filha. O homem era uma pessoa rica. E eu não tinha outra opção e aceitei oferecê-la em troca de 65.000 afeganes (em torno de 620 euros, ou quase R$ 4.000)”, complementou.

“É difícil oferecer sua filha por dívidas. Não tínhamos mais nada a oferecer, exceto nossa própria filha”, afirmou Nazo, esposa de Ibrahim.

Conforme um relatório publicado pela Unicef – agência das Nações Unidas responsável por fornecer ajuda humanitária e desenvolvimento a crianças de todo o mundo -, “a pandemia de covid-19, a crise alimentar em curso e o início do inverno agravaram ainda mais a situação das famílias. Em 2020, quase metade da população do Afeganistão era tão pobre que lhes faltavam necessidades como nutrição básica ou água limpa”.

Fonte: G1

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