Farmácia Campeira

Leia a coluna do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


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Foto: Divulgação

Houve um tempo que era complicado achar uma farmácia neste rio grande. E o povo, principalmente da campanha se virava com as plantas e do conhecimento empírico que passava de um para outro. E herdaram do passado o uso de plantas medicinais. As parteiras e curandeiras tiveram um papel importante.

Tem um poema de Jayme Caetano Braun que repassa por uma série de plantas que eram usadas algumas conhecidas, marcela para estomago; “ churrio ou caganeira casca de romã”; e tantas outras.( açoita cavalo, quácia, sete sangria, arnica, louro, cedro, marmelo, pitangueira, ipê, alfafa, santa-fé, quebra pedra, erva de toro, mel irapuã…) Já outras atitudes são pelo menos preocupantes como “assadura de laço é mijar na queimadura”; “estancar sangue faça um atilho com palha de milho”; “colocação de esterco fresco e ou querosene em machucadura”; “tosse cumprida ou coqueluche leite de égua”…
A música de Marcelo Lagarto e o grupo Mecativa fala bem destas recomendações vale a pena escutar.

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Mas alguns “remédios”, entre tantos, circularam e ou ainda estão por aí. No programa da semana passada falamos do Balsamo Alemão, do uso inadequado da creolina e do quinino que também foi usado para baixar a febre no combate à Gripe Espanhola. Alguns deles,
– Biotônico Fontoura: iniciou lá por 1910 tinha 9,5% de álcool e depois foi retirado do mercado e mudada a fórmula retornou, existe ainda hoje. Era para fortalecer, abrir apetite e tinha mais ferro e fosforo.

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– Óleo de fígado bacalhau: Emulsão Ecott era fonte de Vitaminas A, D, e K.
– Minâncora: Desde 1912 recomendado para problemas de pele, espinhas, frieiras e picadas de insetos.
– Anapyon, Tirotricina associada para inflamação de garganta, gengivite e laringites.
– Um minuto: usado para dor de dente.
– Fosfosol: para problemas de memória desapareceu em 1990.- Regulador Xavier: desde 1930 na propaganda vinha “ regular problemas da mulher”.

Também tinha o Ginoserol para as mesmas recomendações.

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– Olina: chegou em 1911 recomendado para má digestão, constipação intestinal. Feito de diversos extratos vegetais mais “Gentiana lutea” e “Aloe ferox” dessecado de folhas e álcool. E na bula tem algumas recomendações importantes: atenção diabéticos contem álcool e açúcar, mães amamentando, mulheres grávidas e crianças abaixo de dez anos não devem tomar.

Na criação de animais tinha sua farmácia veterinária. Para quem gosta da lida recomendo a música Veterinária Campeira de João de Almeida Neto e Mano Lima. E algumas recomendações: Azeite de mocotó com creolina, Cavalo com dor de urina três cervejas pretas, Cachorro mal de sangue coleira de sabugo sapecada, castrado de potro jogar os bagos para frente para não ficar tropicão, cão sarnento lã de pelego com querosene, bicheira óleo queimado com carvão de corticeira, galinha que larga o choco banho de água fria, castrar em lua nova tem sangueira, cachorro que come ovo e petiço que empaca chá de casca de vaca.

Escutem as músicas e o poema e boas receitas.

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