“O fato de eu chegar nas Paralimpíadas com o esporte que custou minha perna já é uma vitória”, diz lajeadense que vai representar o Brasil nos jogos

André Barbieri, que deixou a família em Lajeado para morar na Califórnia, disputará provas de snowboard nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim, na China


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O lajeadense André Barbieri, que mora desde 2007 em Santa Bárbara, na Califórnia, anunciou em suas redes sociais que foi um dos seis brasileiros convocados a participar dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim, na China, que ocorrerá entre os dias 4 e 13 de março.

O atleta de 40 anos disputará provas de snowboard. Foi praticando este esporte que ele sofreu um acidente em 2011, o qual foi necessário amputar a perna direita, mas ele não reclama. “Só o fato de eu ter chegado nas Paralimpíadas com o esporte que eu tive o acidente e custou a minha perna, já é uma vitória para mim, eu estou feliz”, destaca.

Ele menciona o apoio dos pais que moram em Lajeado, e diz que, apesar de também amar o surf, é na neve que ele consegue se sentir de pé. “Muita gente deve achar que sou louco de voltar para o esporte que quase morri, mas meus pais sabem o quanto eu amo esse esporte e quanta alegria ele me traz, por mais que eu ame o surf, eu não tenho mais aquela sensação de ficar de pé na prancha, eu surfo de joelhos, na neve eu volto ter aquele sentimento de ficar de pé, e isso para mim não tem preço”, enfatiza.

No dia 11 de março André vai disputar uma das provas, exatamente no dia que completa 11 anos de seu acidente. Ele fala que a data é cheia de significados. “Nesse dia minha filha completará um ano”.

André Barbieri disputará provas de snowboard nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim, na China

Desafios nos jogos

Além da intensa preparação para os jogos, o atleta diz que enfrentará alguns desafios como, por exemplo, se adaptar com duas pranchas novas para a competição. “Estou com duas pranchas novas de competição, elas são bem mais difíceis de usar, permitem bem menos erros, mas quando bem usadas elas são mais rápidas, então a ideia é estar no mesmo patamar e competir no mesmo tipo de produto que todo mundo esta usando”, explica.

Vida após a amputação

André vive na Califórnia com a esposa e duas filhas, uma de 3 anos e outra de dez meses. Já trabalhou como taxista, mas hoje é embaixador de uma empresa de prótese e atende toda a região da Califórnia. Ele diz que optou por viver, ao invés de reclamar. “Muitas coisas boas seguem acontecendo depois do acidente e eu consegui transformar aquilo numa vantagem, tanto que agora estou indo para as Paralimpíadas”, reflete.

Ele menciona os momentos de dificuldade de conviver com a deficiência. “É óbvio que têm dias difíceis, tem muito trabalho físico para lidar com a deficiência, ás vezes dor nas costas, torcicolo, sempre lidando com algum equilíbrio postural, e sempre tendo certeza que estou em forma para o esporte que quero praticar, que consome muita energia. Sou feliz de ter essas oportunidades e sou abençoado por estar vivo”, complementa.

Texto: Caroline Silva
jornalismo@independente.com.br


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