Federação da Educação Física diz que redução de carga horária afeta saúde dos alunos e emprego dos professores

Além de redução no fundamental, a portaria prevê exclusão da disciplina no 2º e 3º ano do Ensino Médio, a partir deste ano. Representante da Fieps-RS se posiciona contra


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A portaria prevê, do 1ª ao 5º ano, 1h40 semanal de aula para Educação Física; do 6º ao 9º ano, uma aula por semana (Foto: Educa + Brasil / Divulgação)

O Conselho Regional de Educação Física do Rio Grande do Sul, na última terça-feira (4), publicou uma nota de repúdio em relação a redução da carga horária da Educação Física no Ensino Fundamental e a exclusão da disciplina no Ensino Médio, por parte da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), o que abrangeria as escolas da rede estadual do Rio Grande do Sul. O representante da região central do Estado pela delegacia da Federação Internacional de Educação Física do RS (Fieps-RS), Lauro Ubirajara Barboza de Aguiar, é contra a portaria que entraria em vigor a partir deste ano de 2022. Segundo ele, há uma preocupação muito forte em relação ao tema. “Vai reduzir drasticamente a Educação Física escolar para todos os alunos das escolas públicas estaduais”, relata.


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Segundo Aguiar, a portaria prevê, do 1ª ao 5º ano, 1h40 semanal de aula para Educação Física; do 6º ao 9º ano, uma aula por semana, sendo o mesmo para o 1º ano do Ensino Médio, e para o 2º e 3º ano, a extinção da disciplina. “Traz um sério problema para nossa sociedade e para os alunos, pois hoje em dia as crianças estão inativas, fazem pouca atividade física”, ressalta. Conforme o profissional, a decisão irá refletir em problemas no futuro. “Quando criança, adolescente e também na fase adulta, porque todos os problemas relacionados a inatividade, que são todas as doenças crônicas, obesidade, diabetes, problemas coronários, todas essas questões e ainda mais a saúde mental”, entende.

O profissional diz que o Brasil investe muito em medicamentos e hospitais, mas deixa a desejar na questão da prevenção. “Políticas públicas são fundamentais nessa área, então não podemos deixar, precisamos reverter essa situação”, pondera.

A Portaria nº 350 está sendo aprovada, porém, Aguiar relata que existem movimentos para mudar o cenário. “A gente está falando com todos os deputados, universidades, coordenadores de educação física, para revertermos a situação, fazer com que realmente possamos ampliar o número de atividades, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a criança tem que fazer atividades diárias, então temos que buscar uma forma de recuperar as aulas e ampliar essas atividades.”

Além de prejuízos para saúde dos alunos, Aguiar entende que irá afetar diretamente o emprego dos professores. “E a própria universidade não vai ter mais o licenciado buscando o curso para ser docente, então isso vai repercutir muito mal.”

Em nota, a confederação disse que: “O Cref repudia a redução da carga horária da Educação Física no Ensino Fundamental e a exclusão da disciplina no Ensino Médio a partir do segundo ano. A decisão do Governo Estadual, divulgada na Portaria nº 350 da Secretaria da Educação, vai na contramão de todos os estudos científicos que reforçam a importância da Educação Física na promoção da saúde e da cidadania, descaracterizando a função da disciplina na formação integral dos alunos.”

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

1 comentário

  1. Prezados!
    Fico indignado de ver uma portaria como essa. Me admiro que o governador do Rio Grande do Sul, Sr. Eduardo Leite, que com relação a pandemia da Covid falou tanto em seguir os preceitos científicos, criticando o governo federal. Agora, seu governo, na contramão das pesquisas cientificas que indicam que as crianças e adolescentes devem aumentar a pratica de atividades físicas, reduz as aulas nas escolas, que é o local onde as crianças vão aprender sobre a pratica e criar o habito de se exercitarem. Repudio essa portaria e principalmente esse governador que não levanta da cadeira para melhorar as condições das escolas e desvaloriza o magistério gaúcho.

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