Feirante: o trabalhador que leva os alimentos até a mesa do consumidor

Categoria celebrou seu dia nesta terça-feira (25). Regional Emater de Lajeado tem 173 feirantes convencionais cadastrados, dos vales do Caí e Taquari.


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Giovani da Silva, de Pouso Novo, completa um ano na feira nesta semana (Foto: Natalia Ribeiro)

Sabores, cores e aromas postos à mesa do cliente com muita qualidade nos produtos. Os feirantes têm papel especial na alimentação da sociedade, levando até ela itens ricos em gostos e que simbolizam qualidade de vida. Nesta quarta-feira (25) estes profissionais celebraram o seu dia – e o melhor, com feira no Centro de Lajeado.


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Há dez bancas ocupadas na Feira do Produtor Rural de Lajeado, na Rua Santos Filho, no Centro da cidade. Faz 37 anos que a feira foi instituída no município, sendo 14 anos no atual endereço. Na maior parte deles, 12 anos, Janete Maria Pflugseider trabalha no estande da Embutidos São Bento. Ela se orgulha da profissão. “Satisfação muito grande trabalhar como feirante. Sou de uma família que está na terceira geração de feirantes. Eu amo o que eu faço”, diz.

No dia do feirante, Janete estava acompanhada do filho Alã, na banca 13. O jovem segue os ensinamentos do seu avô, Avelino Pflugseider, um dos sócios-fundadores da Feira do Produtor em Lajeado. Atua com gosto ao lado da mãe, atendendo aos clientes, negociando com eles e vendendo os produtos da família.

A tenda ao lado tem Giovani da Silva, de Pouso Novo, que completa um ano de feira nesta quarta-feira (26). O rapaz, de 25 anos, é da Agroindústria Familiar Ovos Coloniais Ferrari. O negócio foi iniciado pelos sogros, há muitos anos. Hoje ele se sente parte desse universo. “Para mim é uma coisa nova, pois não tinha isso na minha família. Algo diferente, mas está sendo legal. Conhece bastante gente e faz amizade com os clientes, o que é muito importante”, avalia.

Os dois feirantes concordam que a pandemia diminuiu a presença dos clientes. Inclusive alguns dos produtores, em grupos de risco, suspenderam a participação, de acordo com Janete. Ela é presidente da Feira do Produtor de Lajeado. Medidas sanitárias são seguidas, como a comerciante explica. “Há uma pessoa orientando os clientes. Ninguém entra sem máscara. Todos seguem os protocolos do município. É algo diferente, como para todo mundo, mas no momento é como podemos trabalhar”.

Janete, presidente da feira, e o filho Alã vendem embutidos da empresa familiar na banca 13 (Foto: Natalia Ribeiro)

A Feira do Produtor da Santos Filho está aberta nas terças e sextas-feiras, das 14h às 18h30. No Bairro São Cristóvão, Rua Piauí, em quartas, das 8h às 12h. Ambas estiveram fechadas durante uma semana, no começo da pandemia, mas depois voltaram a receber os clientes. Para Janeci Dreber, de Lajeado, uma boa notícia, já que visita os feirantes todas as semanas. “Sempre compro coisas boas e de qualidade. O que mais compro é lima e laranja, pois fazem bem para a saúde”, contou.

Saiba mais

A criação do Dia do Feirante no Brasil se deu em virtude da realização da primeira feira livre do país, em 1914, na cidade de São Paulo. As feiras resistem nas paisagens urbanas contemporâneas, desde o processo de industrialização dos alimentos. A avaliação é da Emater/RS-Ascar, que acompanha esses produtores e comerciantes.

O engenheiro agrônomo Lauro Bernardi, que atua como assistente técnico regional em olericultura e abastecimento e sistemas de produção vegetal no escritório da Emater em Lajeado informa dados do setor relativos ao mês de agosto de 2020.

Levantamentos apontam que o Rio Grande do Sul possui aproximadamente três mil feirantes convencionais, que rodam 24.197 feiras por ano, além de 1.266 feirantes de base ecológica com 14.532 feiras anuais. Já a Regional Emater/RS de Lajeado, que contempla 55 municípios dos vales do Caí e Taquari, tem feiras em 29 localidades. Estas contam com 173 feirantes convencionais, rodando anualmente 1.801 feiras. São mais 93 famílias de base ecológica que rodam 1.777 feiras ao ano.

Especificamente no Vale do Taquari, com abrangência da Emater/RS-Ascar em 17 municípios, há o registro de 126 famílias de feirantes de base convencional e de 40 famílias de base ecológica. Sozinha a última roda 713 feiras anualmente.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

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