Fetransul entra no Ministério Público solicitando paralisação imediata do processo dos leilões para a concessão das rodovias estaduais

Diretor da Fetransul, Paulo Ziegler, explicou que a entidade tentou diversos diálogos com o governo, mas todos sem sucesso


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Foto: Arquivo/Grupo Independente

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), em parceria com empresas e organizações ingressaram na última sexta-feira (3), com uma apelação junto ao Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul solicitando a paralisação imediata dos processos dos leilões dos blocos 1,2 e 3 das concessões das rodovias estaduais.

Diretor da Fetransul, Paulo Ziegler (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Diretor da Fetransul, Paulo Ziegler (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Em entrevista à Rádio Independente, o diretor da Fetransul, Paulo Ziegler explicou que a entidade tentou um diálogo com o governo, fato este que não ocorreu. “Há cerca de um ano que estamos tentando dialogar com o governo das mais diversas formas, a fim de modificar as partes que entendemos como inadequadas neste processo. Nada disso aconteceu, e num dado momento o governo publicou o edital de licitação do bloco 3 para entregar a rodovia a um preço de 0,17 centavos por km, o que é mais de 55% acima do atual preço do mercado”, explicou.

Com as negativas, o grupo partiu para a assembleia legislativa, que mostrou apoio ao movimento. Mesmo assim, o Estado não se mobilizou e deu continuidade ao processo. “Então nos restou a opção do Ministério Público de Contas, onde nós levamos em índices gerais as mesmas proposições e sugestões, pedindo que isso mereça uma análise mais técnica, com uma função de fiscalizar os dados de governo”, discorreu. Além disso, o diretor afirma que o atual cenário não é o ideal, visto que o Brasil se encaminha para um período de eleições e mudanças de governo.

Em relação às praças de pedágio, Ziegler explica que o projeto atual elevaria muito o valor das tarifas. “Quando é feita uma licitação, a primeira premissa é buscar o menor preço possível, esta é a essência do processo. E as concessões estão sendo propostas com um atraso de deságio da seguinte maneira: A cada ponto percentual de desconto que o vencedor oferecer à tarifa base que está proposta, ele vai ter que depositar em uma conta de garantia, R$ 6,7 milhões. Isso significa que, para que a gente consiga uma tarifa parecida aí no Bloco 2 com o que cobra o da CCR Viasul, na 386, seria necessário um desconto de 30%, que representaria um aporte para o vencedor de R$ 335 milhões, ou seja, ele já precisará entrar neste negócio tendo que depositar este valor”. finalizou.

O bloco 2 abrange o Vale do Taquari, enquanto o 3 é responsável por cobrir a região da Serra, e já teve seu encaminhamento feito, tendo uma empresa conquistado a licitação. O retorno junto ao Ministério Público de contas não tem um prazo para ocorrer, e o leilão das concessões deve ocorrer após três meses, tempo este que, para o grupo, é hábil para que se tenha uma resposta.

Texto: Vinicius Mallmann
regional@independente.com.br

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