Filme inspirou moradora de Teutônia a correr na São Silvestre, em São Paulo

Jaqueline Hartmann (29) completou os 15 quilômetros da corrida de rua mais tradicional do país


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Jaqueline já tinha o gosto pelo esporte e costumava correr por hobby, mas nunca havia participado de uma prova (Foto: Arquivo pessoal)

Tradicionalmente, o último dia do ano no Brasil é marcado pela Corrida Internacional de São Silvestre. A prova de rua mais conhecida no país é também uma das mais famosas em todo o mundo. Na edição do ano de 2021, Jaqueline Hartmann (29) se propôs a fazer parte dos cerca de 20 mil atletas que percorreram as ruas da cidades de São Paulo.

A moradora de Teutônia conta que já tinha o gosto pelo esporte e costumava correr por hobby. No entanto, nunca havia participado de uma prova. A inspiração para se inscrever veio justamente em um instante de relaxamento.


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“Eu sempre gostei muito de esporte e acredito no poder que ele tem na vida da gente, em relação a hábitos e organização. Há três meses eu vi o filme ‘100 metros’, que nos traz uma lição de vida incrível. Quando assisti logo falei para a pessoa que estava comigo que iria me inscrever na São Silvestre, pois não podemos abrir mão das coisas que dependem da gente”, relata.

Depois de um ano marcado por inúmeras mudanças na vida profissional, Jaqueline decidiu assumir o compromisso para reorganizar seus hábitos, a mente e readquirir o equilíbrio. “Sempre gostei do esporte e tinha o costume de correr, mas era cerca de dois ou três quilômetros. Quando comecei os meus treinos, há três meses, eu corria quatro quilômetros. Pra mim foi um baita desafio. Quinze quilômetros não é tanto assim. Tem muita gente em Lajeado que corre muito mais do que isso. Mas o que importa é o tamanho do desafio que colocamos pra nós mesmos e para mim foi um grande desafio”, destaca.

A atleta teve aproximadamente três meses para evoluir dos quatro quilômetros percorridos de forma rotineira para os 15 exigidos na São Silvestre. Para isso, precisou abrir mão de inúmeras coisas. No entanto, não deixou de viver com intensidade o início de sua carreira e de estar perto de sua família.

“Foi desafiador mas não foi um sofrimento. Eu fazia os meus treinos de forma super amadora. Então me organizei, comecei a fazer academia duas vezes por semana, corrida outras três vezes e fui definindo metas. Iniciei com cinco quilômetros, na outra semana eu já deveria estar correndo seis quilômetros e nas próximas duas oito. Eu mesma fiz esta organização de metas e seguia rigorosamente. Mudei um pouco a minha alimentação, mas não tanto assim pois já me alimento de forma saudável”, lembra.

Junto a isso, ela também precisou conciliar sua rotina como head de marcas e comunicação na Docile e as inúmeras viagens a trabalho. “As vezes também não dava certo. Teve um dia que eu sai para correr oito quilômetro e consegui correr apenas dois. Então, estamos trabalhando muito mais a mente também. Está tudo certo se não funcionou. Não é sempre que vamos conseguir dar o nosso melhor ou a perfeição, mas precisamos dar o primeiro passo e sair de casa”, incentiva.

Jaqueline não descarta a possibilidade de aumentar o trajeto e percorrer a meia maratona (Foto: Arquivo pessoal)

Jaqueline lembra ainda da importância de manter o foco ao longo da prova. A atleta conclui o percurso em 1h45min. Segundo ela, é necessário ter o controle para não sair no mesmo ritmo daqueles que largam mais rápido. Ao mesmo tempo, também destacou a importância da persistência ao ver outros atletas desistindo depois de cinco ou dez quilômetros.

“Eu só pensava que eu tinha que dar o meu melhor, que eu não podia desistir e que eu precisava manter a cabeça no lugar. É como a vida. A gente vai dando um passinho depois do outro, com planejamento, sem perder as coisas que a gente acredita e foi mais ou menos isso. Eu sabia que tinha muitas limitações para cumprir aquela prova, pois não sou uma atleta profissional. Me preparei pra caramba, fiz um mega planejamento, mas sou uma trabalhadora, uma pessoa que não vive do esporte”, avalia.

Questionada sobre as metas para o futuro, ela não descarta a possibilidade de aumentar o trajeto e percorrer a meia maratona. “Não tenho nenhuma corrida em vista ainda, só sei que não vou parar de correr. O trajeto é muito mais importante que a prova. Ela é simbólica, é a conquista de um sonho, algo muito importante. Mas, para mim, o que contou mesmo foi a trajetória e os efeitos desta trajetória na minha vida. A pessoa que eu sou depois deste percurso”, conclui.

Texto: Artur Dullius
reporter@independente.com.br

 


1 comentário

  1. Fantástico a decisão de realizar o planejamento e seguir mesmo nos treinos que não deram certo.
    Parabéns!

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