Fim dos rodeios? Projeto fere o direito à cultura e traria prejuízo econômico, diz tradicionalista 

Ex-coordenador regional e ex-conselheiro do MTG, Flávio Rodrigues acredita que o projeto não será aprovado


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Flávio Rodrigues, ex-coordenador regional e ex-conselheiro do MTG (Foto: Rodrigo Gallas)

O projeto que propõe o fim dos rodeios no Rio Grande do Sul fere o direito cultural, que é assegurado pela Constituição Federal (CF) de 1988, e traria prejuízo econômico ao estado. A afirmativa é do ex-coordenador regional e ex-conselheiro do MTG, Flávio Rodrigues, um dos representantes do movimento tradicionalistas no Vale do Taquari. “A prática dos rodeios cresceu muito. Existe uma cadeia produtiva de fomento ao turismo. Muitas famílias vivem disso, porque envolve pessoas que trabalham com gado nos rodeios, narradores, julgadores [..]. Há também a comercialização e produção dos apetrechos”, explica.

A proposta protocolada na última quarta-feira (4), na Assembleia Legislativa (AL), pelo deputado estadual Rodrigo Maroni (PSDB), vem gerando debate e indignação por parte da população gaúcha. Na segunda-feira (9), o parlamentar defensor da causa animal concedeu entrevista exclusiva à Rádio Independente (clique aqui para acessar).

Em entrevista ao programa Panorama, desta quarta-feira (11), Rodrigues diz que o argumento de Marroni “é totalmente sem sentido. Mostra um desconhecimento por parte dele do nosso estado. A minha posição é que ele queria ir para a mídia aparecer, e conseguiu.” Para o tradicionalista, “dizer que o laço não faz parte da cultura, é o mesmo que dizer que o chimarrão não faz parte. É um direito cultural. Está escrito na Constituição Federal de 1988 nos artigos 215 e 216: o povo tem direito a preservação cultural. É um direito constitucionalmente garantido.”


ouça a entrevista 


 

A história do laço é “facilmente” encontrada na internet como preservação cultural do RS. Conforme Rodrigues, o começo foi em 1951 no Alto da Serra, na cidade de Esmeralda. Na época, a prática era utilizada como forma de treinamento dos peões para o serviço de campo. “Não consigo acreditar que quem tem um mínimo de conhecimento deste estado, deste povo, tenha coragem de dizer que os rodeios (e a modalidade de laço) não estejam arraigados na nossa identidade cultural.”

Na defesa do projeto, Maroni traz imagens que, segundo Rodrigues, não são de rodeios gaúchos. O parlamentar também cita a prova da “cura de terneiro”, na qual um bezerro é laçado a pé e derrubado pelo competidor. Esta modalidade foi excluída dos rodeios em 2012. “Esta era a única prática que causava algum sofrimento ao animal”, argumenta o tradicionalista.

Hoje, as únicas provas realizadas nos rodeios gaúchos são as de laço e gineteada. “Todas elas estão super atentas ao bem-estar animal. Então não tem nenhum fundamento. Esse projeto não vai passar”, afirma.

Rodrigues informa que a gineteada gaúcha e de todo ‘cone sul’ não tem aperto de testículo como o deputado estadual disse em entrevista à Rádio Independente. “Isso é uma prática dos rodeios norte-americanos e, talvez, paulistas.”

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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