Focos do Aedes aegypti crescem 177% em Lajeado na comparação com mesmo período de 2019

Em 2019 foram identificados nove focos e, em 2020, são 25, no período de 31 de novembro a nove de dezembro. Município tem risco médio de transmissão da dengue, zika vírus e chikungunya.


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Em 2020, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, foram feitos apenas dois levantamentos (Foto: Gabriela Hautrive)

Lajeado obteve o Resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (Liraa), que determina o nível de infestação no município. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (15). Conforme a bióloga e coordenadora da Vigilância Ambiental, Catiana Lanius, houve um aumento no número de focos do mosquito em comparação com o mesmo período do ano passado, de 30 de novembro a 9 de dezembro. Em 2019 foram nove casos; neste ano são 25, com aumento de 177%. A coleta é feita através de uma amostra com 2.066 visitas e participação de 80 agentes, entre profissionais de endemias e saúde.


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O bairro com mais focos em Lajeado é o Santo Antônio, com oito, seguido do Planalto com seis. Conforme Catiana, os números indicam um acréscimo contrário do esperado, já que neste ano as pessoas estão mais em casa e a tendência era pelo aumento nos cuidados com a água parada. “Tivemos um aumento considerável e estamos com risco médico de transmissão para essas doenças transmitidas pelo mosquito.”

O levantamento do Estado já mostra mais de 3 mil casos de dengue no Rio Grande do Sul. “Está previsto uma epidemia no Estado”, afirma a coordenadora.

Diante do cenário e das projeções, a bióloga relata que a maior preocupação é com possíveis infecções de pacientes que precisem de internações em hospitais, o que junto com os infectados pelo novo coronavírus, iria sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde. “Por isso é necessário que a gente alerte a população e que todos façam sua parte eliminando água parada nas residências.”

O mosquito, conforme Catiana, é doméstico, então diferentes locais da casa precisam ser observados. “Encontramos ele em baixo do sofá, atrás da geladeira, em baixo da mesa, são ambientes que ele costuma estar, próximo do seu alimento que o ser humano”, explica.

Após se alimentar com sangue, o mosquito procura locais com água para depositar seus ovos, como cita a bióloga. “Pode ser atrás da geladeira, no pratinho do cachorro, na bromélia que está no quintal, lugares de preferência que seja sombreado.”

Além dos bairros já citados, Santo Antônio e Planalto, as demais localidades com identificação do mosquito em Lajeado são: Campestre (três); Conservas (dois); Montanha (um); Moinhos D’Água (um); Centenário (um); Morro 25 (um); Americano um e Olarias também um. Os pontos com foco não necessariamente indicam falta de cuidado ou limpeza.

“O relato das agentes que fizeram as visitas para o levantamento, falava de casas super organizadas e limpas, mas em uma, a pessoa colocava a planta para criar raiz em um pote com água e justamente ali foram encontradas larvas do Aedes aegypti, então é preciso der cuidado em todos esses detalhes”, reforça.

A partir de agora, a vigilância ambiental concentra suas ações educacionais nos pontos com foco para controlar a proliferação das doenças. O total de casos em 2019 foi 84, com amostras feitas nos meses de fevereiro, maio, agosto e novembro. Em 2020, por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, foram feitos apenas dois levantamentos, em fevereiro e novembro, resultando em um total de 58 focos do mosquito.

Bióloga e coordenadora da Vigilância Ambiental de Lajeado, Catiana Lanius (Foto: Gabriela Hautrive)

Prevenção/Proteção

Utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas – calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas.
Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.

Cuidados

– Caso observe o aparecimento de manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, busque um serviço de saúde para atendimento;
– Não tome qualquer medicamento por conta própria;
– Procure orientação sobre planejamento reprodutivo e os métodos contraceptivos nas Unidades Básicas de Saúde.

Informação

– Utilize informações dos sites institucionais, como o do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municiais de saúde;
– Se deseja engravidar: busque orientação com um profissional de saúde e tire todas as dúvidas para avaliar sua decisão;
– Se não deseja engravidar: busque orientação médica sobre métodos contraceptivos.

Fonte: Agência Reguladora de Planos de Saúde do Brasil

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

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