Foi a pior ocorrência já registrada nos Vales, diz sargento do Corpo de Bombeiros de Lajeado sobre explosão na ponte

Márcio Siteneski descreve o cenário como "um inferno", "cena de guerra", "era uma cascata de fogo que caia pela canaleta, pela ponte e abaixo dela"


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Foto: Reprodução / Facebook

“Se pegarmos as ocorrências de vulto dos Vales. [..] Esta foi a pior”, diz o sargento do Corpo de Bombeiros Militar de Lajeado, Márcio Siteneski, ao relembrar do atendimento a explosão do caminhão de combustível sobre a ponte do Arroio Boa Vista. O bombeiro descreve o cenário como “um inferno”, “cena de guerra”, “era uma cascata de fogo que caia pela canaleta, pela ponte e abaixo dela.” Segundo ele, as chamas atingiam, pelo menos, 20 metros de altura.


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“Acabávamos de voltar de uma ocorrência em Cruzeiro do Sul, de um resgate de animal, quando recebemos uma ligação. Por questões de telefonia, as ligações ao 193, em Estrela, no local onde ocorreu o acidente, caem para a guarnição de Lajeado”, explica Siteneski.

Márcio Sitenesk, sargento do Corpo de Bombeiros Militar de Lajeado (Foto: Divulgação)

O rádio operador recebeu a ligação e repassou para o comendante da guarnição a informação de um tombamento de caminhão sobre a BR-386. “Não sabíamos que o caminhão transportava combustível, que havia vítima, ou se havia um veículo leve envolvido”, relata.

Apesar de ser área de atuação do Corpo de Bombeiros de Estrela, imediatamente iniciaram o deslocamento até o local, e avisaram a guarnição do município vizinho. “Nosso acesso é privilegiado. Do Bairro Montanha, saímos direto na BR-386.” No começo do trajeto, já foi possível visualizar “uma imensa nuvem preta.”

“Mesmo com o tráfego bloqueado, chegamos em cinco minutos no local.” O sargento ressalta a importância da Brigada Militar (BM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que isolaram o acesso ao público.

Ao chegar no local, iniciaram a averiguação de potenciais vítimas. “Independente da situação, a nossa missão é salvar. Se tivesse um carro, um outro caminhão envolvido, se o caminhoneiro estivesse preso nas ferragens. Nos faríamos de tudo. Até mesmo nos arriscarmos para resgatar esta pessoa. O tempo para”, conta Siteneski.


O combate ao fogo

Nove cilindros de ar comprimido foram utilizados pelos dois soldados que arriscaram a própria vida se aproximando do caminhão tanque. Primeiro foi feita a aproximação com água. Posteriormente, o material utilizado no combate ao fogo foi o Líquido Gerador de Espuma, o LGE, que é um sistema de espuma que precisa ser utilizado devido à presença massiva de líquidos inflamáveis, como no caso do combustível.

Esse sistema utiliza uma espuma mecânica para o combate a incêndio, formada quando o líquido gerador de espuma entra em contato com o ar e a água. “Só a água não vai extinguir o fogo gerado pelo combustível. Um exemplo bem claro, em nossa residência, em um frigideira, se colocarmos água, não vai extinguir, pelo contrário, vai dimensionar o fogo, porque vai ocorrer o transbordo do combustível.”

O combate ao fogo durou 1h20, mas a guarnição permaneceu no local por cerca de 3h, já que o fogo ameaça recomeçar devido ao intenso calor que continuava.

“Se não houvesse a ação integrada do Corpo de Bombeiros de Lajeado, Estrela e, posteriormente, de Imigrante, a ponte não resistiria a onda de choque que causaria a destruição da estrutura que já estava fragilizada pelo calor”, afirma

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br


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