Gafanhoto: conheça o inseto que vive há mais de 400 milhões de anos

Casos de infestação aconteceram no Vale do Taquari em 1950. Coluna do engenheiro agrônomo Nilo Cortez traz informações curiosas sobre o inseto do momento.


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Nuvem de gafanhotos avança na Argentina (Foto: Governo de Córdoba)

É o inseto do momento, mas existem há mais de 400 milhões de anos. Já viviam antes dos humanos e se adaptaram as mudanças ocorridas. Estimam que existem cerca de 8000 espécies de gafanhotos no mundo. No Brasil 4000 representantes e destes 20 realizam o movimento migratório.

Na bíblia já contava que João Batista comia gafanhoto com mel. Na China, Tailândia e em alguns países da África é comum alimentar-se com insetos. No México é considerado especiaria. Na região de Tucumán (Argentina) os índios comem normalmente. No Brasil na região de Rio Branco divisa com as Guianas, os xavantes em Mato Grosso, índios em Roraima e na Amazônia consomem no seu cardápio alimentar. Assam em valas com pedras quentes.

Considerado rico em proteínas, minerais e vitaminas são recolhidos ao entardecer hora que pousam para descansar. No seu preparo deixam de molho em água por 24 horas, depois são retirados as pernas maiores e parte dos intestinos. Secos ao sol, cozidos ou fritos são preparados com especiarias, alho, cebola e pimenta. Há receitas circulando na internet que mostra como fazer. Comido ainda em sopas, ou recheios de pastel e outros pratos.
A vida do gafanhoto é isolada naturalmente. Mas no momento em que se sente ameaçado por falta de comida se unem. Isolado é facilmente atacado pelos inimigos naturais (aves diversas, sapos, fungos, bactérias, insetos diversos). China usa o pato para combater os gafanhotos.

E por reação do sistema nervoso (serotonina) se juntam. A “união faz a força” e com isso resistem e evitam os predadores. Chegam fácil a nuvens com 40 ou mais milhões de insetos.

Estas reações são causadas quase sempre por secas que provocam a falta de alimentos. A agressão ao habitat natural (campos e matas) extermina parte de seus inimigos naturais, o que também ajuda. Inclusive as nuvens de gafanhoto é sinal de degradação ambiental. Primeiro se deslocam sem asas como se fosse um exército procurando áreas úmidas e alimentos. Comem quase tudo dão preferência as folhas de citros, eucalipto, soja, gramíneas (milho, pastagens, cana, arroz), hortas etc… Podem comer diariamente mais que seu peso em alimentos.

São capazes de se deslocar até 150 km em um dia aproveitando correntes de vento. Uma fêmea coloca de 80 a 120 ovos em dois a três meses. Cada 10 gafanhotos numa primeira geração podem se multiplicar em uma segunda até 10 milhões. É incrível isto. E está cada vez mais frequente este fenômeno.

O uso de agrotóxico para controle só pode ser feito a noite quando pousam para descansar. Durante o dia no deslocamento é inviável inclusive com aviões. No final da década de 40 e início de 50 era usado o BHC (hexaclorobenzeno) popularmente pó de gafanhoto. Clorado hoje proibido. As condições climáticas de frio vão ajudar a manter o controle. Não resistem a uma boa geada. A Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Brasil já foram atingidos com infestações desde 1897 até 1952. Aqui na região em 1950 houve casos. Com a utilização de agrotóxicos diminui as infestações. Aguardemos.

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