Gestão reprodutiva do rebanho pauta primeira noite do 15º Fórum Tecnológico do Leite

O foco do debate esteve voltado aos benefícios da gestão reprodutiva, com moderação do médico veterinário Diogo Cord


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O 15º Fórum Tecnológico do Leite abriu sua programação com mais de mil visualizações ao vivo na primeira noite de transmissão online, nesta terça-feira (19), pelo canal do Colégio Teutônia no Youtube. O foco de debate esteve voltado aos benefícios da gestão reprodutiva, com moderação do médico veterinário da Cooperativa Languiru, Diogo Cord. Na ocasião foram apresentados os cases das propriedades dos produtores rurais Armando Rhoden, de Tupandi/RS, e Roberto Erig, de Maratá/RS.

O coordenador do Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa), Maicon Berwanger, comentou sobre a organização do evento, pelo segundo ano consecutivo no formato online, e a definição de temas. “Procuramos trazer os principais gargalos e desafios na atividade leiteira da região, apresentando soluções encontradas pelos produtores nas suas propriedades”, valorizou, referindo-se aos sete cases que integram a programação completa do Fórum.

O diretor do Colégio Teutônia, Jonas Rückert, falou do compartilhamento de conhecimento. “Esse é o propósito do Fórum e do CT, fruto do trabalho intenso de pessoas que fazem a diferença, evidenciando o quanto a cadeia produtiva do leite, de grande importância econômica e social, pode ser mais assertiva e de resultado”, frisou, agradecendo aos parceiros, apoiadores, patrocinadores e painelistas.

O presidente da Emater/RS, Edmilson Pelizaro, parabenizou pela temática abordada. “Todo esse trabalho realizado no campo é fundamental para que as famílias vivam com dignidade no desenvolvimento de suas atividades produtivas, contribuindo ainda para o desenvolvimento dos municípios.”

O presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, parabenizou a organização e produtores rurais. “Trata-se de um evento consolidado e muito importante para a cadeia produtiva do leite, que traz temas relevantes e que visam o aumento na qualidade e produtividade.”

Foto: Divulgação

Atenção ao rebanho

O produtor Armando Rhoden possui propriedade rural na localidade de Morro Gaúcho, município de Tupandi, com 44 vacas em lactação e produção de 1330 litros de leite/dia. De maneira muito clara, tratou dos impactos da redução de intervalo entre partos.

“Trabalhar o melhoramento genético e ter o controle de parição, com anotações, faz toda a diferença. Iniciamos com a inseminação do rebanho nos anos 1970, e desde então nunca mais paramos, cada vez investindo mais. Com o trabalho mais aprofundado, começamos a gerenciar a vaca como se fosse nossa empresa, fazendo ela produzir para termos bons resultados, um trabalho muito sério”, frisou, citando que o intervalo de parto na propriedade, hoje, é de 12,4 a 12,6 meses.

Rhoden destacou que diariamente confere a tabela de controle dos animais. “Hoje em dia só fica na propriedade quem é produtor de leite profissional, não tem mais espaço para ‘tirador de leite’. Também tem que gostar da atividade”, disse, elencando quesitos essenciais para o bom funcionamento de uma propriedade leiteira: informação, planejamento, organização e controle. “Com esses quatro funcionando, a propriedade é rentável. Começar é fácil, mas permanecer na atividade e ter bons resultados é difícil. Por isso é muito importante conhecer a sua propriedade e o seu rebanho. A vaca só corresponde e dá resultado se dermos essa atenção a ela”, concluiu.

Gerenciamento e tecnologia

O produtor Roberto Erig, de Maratá, abordou o uso da tecnologia na gestão reprodutiva. A propriedade familiar com mais de 50 anos na atividade leiteira conta, atualmente, com 60 animais, dos quais 26 em lactação, com produção de 950 litros de leite/dia.

Foto: Divulgação

Com formação técnica, cursos de melhoramento genético, inseminação e nutrição, Erig apreciou a utilização de aplicativo de gestão no dia a dia da propriedade leiteira. “As anotações de diversos dados iniciaram há 30 anos, com meus pais, desde o nascimento de animais, partos, cio, data de inseminação, retorno, prenhês, projeção de parto, controle do pré-parto e período de secagem. Eu procurei tecnificar mais, para ter maior controle da parte reprodutiva, pois não adianta melhoria da nutrição e da genética se a reprodução não acompanhar”, disse, referindo-se ao uso de aplicativo para avaliação dos dados coletados.

Essa evolução é a profissionalização da atividade. “Tenho tudo na palma da mão, no celular que está sempre no bolso. Assim, quando estou no meio dos animais, qualquer comportamento diferente pode ser acompanhado mais de perto com essa ferramenta”, finalizou, enumerando o ganho produtivo, de 21 para média de 36 litros, e a importância da eficiência reprodutiva. “Não adianta estar tudo certo se a reprodução apresenta falhas. Os produtores devem abrir as portas da propriedade para profissionais técnicos, buscar a informação que está disponível para todos, usar as tecnologias, nunca sabemos o suficiente para não precisar de ajuda. Gerenciar a propriedade é saber o que precisa para não gastar com o que não é necessário.”

Programação

O Fórum Tecnológico do Leite terá continuidade nesta quarta e quinta-feira, com novas transmissões pelo canal do Colégio Teutônia no Youtube a partir das 20h. No dia 20 serão apresentados cases de diferentes sistemas produtivos: Free-Stall, com a Granja Lenhard – Estrela/RS; Compost Barn, com a produtora Marina Frey, da Fazenda Frey – Venâncio Aires/RS; e Sistema Misto (Compost e Pastejo), com o produtor João Domingos Martins – Venâncio Aires/RS, tendo na moderação Diego Barden dos Santos (Emater e Colégio Teutônia).

No dia 21 o foco será o gerenciamento de resultados produtivos e financeiros na propriedade, com os cases “Gestão de pessoas e de números”, com a família Sprandel – Teutônia/RS; e “Gerenciamento como tomada de decisões”, com o produtor Artur Ziglioli – Dois Lajeados/RS, tendo na moderação Luciano Redu (Dália Alimentos).


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