Cerca de duas mil pessoas participaram da manifestação contra a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista realizada na manhã desta sexta-feira (28), em Lajeado. A estimativa é da Brigada Militar de Lajeado e dos organizadores do movimento. Segundo o vice-presidente do Sindi Comerciários de Lajeado, Ricardo Ewald, representantes de mais 50 sindicatos de aproximadamente 30 cidades do Vale do Taquari percorreram as ruas de Lajeado.


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A manifestação teve início às 9h12 com saída da Avenida Piraí, no bairro São Cristóvão com o ingresso na Avenida Senador Alberto Paqualini, que foi ocupada nos seus dois sentidos. Às 9h24 os protestantes bloquearam os dois sentidos da BR-386 no principal trevo de acesso à cidade, próximo ao Shopping Lajeado. Eles bloquearam também as quatro alças de acesso à rodovia, bem como o trânsito por baixo do viaduto. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o congestionamento chegou a 2,5km em cada sentido.

Caminhoneiros se disseram favoráveis ao protesto, porém contrários ao fechamento de rodovias. (Foro: Ricardo Sander)

Durante 56 minutos dois carros com alto-falantes foram utilizados para explanação de reivindicações e gritos de “Fora Temer”, que finalizavam todos os pronunciamentos. Alguns veículos da saúde tiveram a liberação de passagem. Alguns motoristas até eram favoráveis ao protesto, mas contrários ao bloqueio de rodovias. O caminhoneiro Guilherme, de Anta Gorda, não concorda com o bloqueio de rodovias. “Acho que eles estão no direto deles, reivindicando, tudo certinho, o errado é trancar a estrada. O cara corre atrás da máquina…” Outro caminhoneiro, Vágner, de Ijuí, acrescenta. “Eu não sou contra, mas eles não deveriam fazer isso na estrada, deveriam fazer lá em Brasília”, cita.

Deputado Schuch foi vaiado na BR-386.(Foto: Ricardo Sander)

O deputador federal gaúcho, Heitor Schuch (PSB), presente no ato foi vaiado e, após ser chamado de “golpista” deixou o local. “Isso faz parte da democracia. Eu não vou nos lugares para ser aplaudido e se alguém quiser me vaiar eu respeito isto”, salienta. Às 10h30 a rodovia foi liberada e a manifestação tomou às ruas de Lajeado.

Com vários cartazes, representantes de sindicatos da área rural e urbana (dentre eles, Fetag, STR, Sindibancários, Cpers)  desceram pelas avenidas Pasqualini e Benjamin Consant, onde houve paradas com manifestações mais fortes em frente ao prédio da Previdência Social (INSS) e da Câmara de Vereadores. O trajeto foi encurtado e com o retorno pela Rua Júlio May, onde houve  protesto em frente à Prefeitura. Para otimizar o tempo, os organizadores não realizaram as paradas que estavam previstas em frente ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, na Rua Júlio de Castilhos.

Lojista apoiou o protesto. (Foto: Ricardo Sander)

Muitos moradores e comerciantes foram até as sacadas de seus apartamentos ou às calçadas de passeio para observar a movimentação. Renata foi uma das lojistas que foi até a calçada da Julio de Castilhos acompanhar e apoiar o protesto. “A gente é trabalhador, a gente depende dos nosso direitos adquiridos, não podemos perder nenhum”, destaca.

No fim do protesto, um dos carros de som, tocou o hino nacional, entoado pelos manifestantes ainda presentes, junto ao Posto Faleiro, no entroncamento da Pasqualini com a Júlio de Castilhos. Às 12h20 a manifestação teve seu encerramento e o trânsito foi completamente liberado.


protesto tem fim após execução do Hino Nacional; assista:


Os organizadores fizeram chamamento para novas mobilizações em Estrela, onde está o governador José Ivo Sartori, mas devido à pouca adesão e ao cansaço das pessoas, optaram por não levar a ideia adiante.  No fim do protesto, o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT) se juntou à mobilização. Também estiveram na passeata os vereadores lajeadenses Paulo Tóri (PPL) , Nilson Do Arte (PT) e Sérgio Rambo (PT), que chegou a sem manifestar no carro de som em frente a Câmara.

Presidente e vice do Sindi Comerciários, Daniel Rockembach, Ricardo Ewald e coordenador regional da Fetag, Luciano Carminatti. (Foto: Ricardo Sander)

Um dos organizadores do evento, vice-presidente do Sindi Comerciários de Lajeado e região, Ricardo Ewald destaca que este foi o maior movimento realizado pelos sindicatos nos últimos anos.“ É o terceiro ato que a gente faz em trinta e poucos dias e a gente não vai parar por aí. Posso ser xingado, mas eu quero morrer lutando”, reforça. O coordenador regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Luciano Carminatti vibrou com o resultado. “Mais do que satisfeito. Aquilo que a gente se propôs a fazer. Foi um ato histórico pro Vale do Taquari”, comenta.

A manifestação em Lajeado ocorreu de forma ordeira, sem qualquer tipo de incidente. Não há previsão de novos protestos ou interrupção de rodovias no Vale do Taquari para esta sexta-feira. RS

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