Guerra, covid-19 e dependência por insumos de China e Índia geram escassez de medicamentos

“A pandemia nos mostrou as nossas fraquezas em termos gerais, ou seja, a dependência de poucos gera problemas para muitos”, afirma Fernando Gama


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O presidente do Sindicato dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Vale do Taquari, Fernando da Gama, falou sobre o reflexo do surto da dengue nos hospitais da região e a situação da falta de medicamentos em entrevista ao Troca de Ideias desta quarta-feira (11). “Os hospitais não estão tendo problema porque normalmente a dengue se trata em casa, com antitérmico”, Gama explica. De acordo com ele, quando há necessidade de internações, são casos de controle térmico. “Tratamento mais tranquilo e básico”, destaca.

Por outro lado, a falta de medicamentos desafia os hospitais. Há escassez, por exemplo, de dipirona, amicacina, amoxicilina, soro, sulfato ferroso e imunoglobulina Humana. Conforme o dirigente, é uma situação global que atinge a todos, motivada por diversos fatores.

Fernando da Gama, presidente do Sindicato dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Vale do Taquari (Foto: Tiago Silva)

A pandemia desregulou o mercado de medicamentos em todo mundo, que tem como principais fornecedores de insumos China e Índia. Com o aumento de consumo, eles não têm condições de atender a todos a todo o momento, segundo a análise de Gama.

Esse processo foi agravado pela guerra na Ucrânia, com desestabilização de todo o comércio mundial. As sanções contra a Rússia mudaram todo o consumo e a circulação de mercadorias. Outro fator que impacta é um novo surto de covid-19 em Shanghai, que afetam as exportações mundiais.

Além disso, o presidente do sindicato dos hospitais lembra que no Brasil a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) determina os preços máximos dos remédios. Acontece que o tabelamento para a venda está abaixo do que farmácias e hospitais conseguem comprar.

“A pandemia nos mostrou as nossas fraquezas em termos gerais, ou seja, a dependência de poucos gera problemas para muitos”, afirma Gama. Ele não vê solução de curto prazo para essa escassez, depende da quantidade de produção de China e Índia. Até o final do ano a situação pode se normalizar se a guerra na Europa arrefecer, observa.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br


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