Há pessoas que possuem muita dificuldade de somente “olhar com os olhos”

Confira o cometário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: mensagenscomamor.com / Ilustrativa

Li um texto informativo alertando sobre nossa postura quando estamos nos supermercados. A orientação que estava sendo dada é de que não devemos pegar os produtos das gôndolas nas mãos se não formos, de fato, leva-los. Isso porque poderemos contaminar as embalagens com o coronavírus. E o alerta faz sentido. Afinal, ninguém sabe, ao certo, se está ou se não está infectado. Por isso, o cuidado precisa ser coletivo.


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Enquanto ouvia o áudio, fiquei pensando que eu sou daquelas pessoas que pega as mercadorias na mão para decidir se vai comprar. Não confio na escolha de um café, se não posso analisar a textura da embalagem. Conto de mim, mas acredito que muitas pessoas também se reconhecem tendo comportamento semelhante. E vale o alerta que, geralmente, é feito para as crianças, mas que deve ser estendido a muitos adultos, inclusive para mim: olhar com os olhos.

Se pensarmos nos cinco sentidos – visão, audição, tato, olfato e paladar, cada um de nós vai ter um deles mais aguçado, mas o tato tem um lugar de destaque porque ele está presente em toda a extensão da pele que cobre o nosso corpo. É o primeiro sentido a se desenvolver num bebê em gestação e o último a desaparecer no fim da vida. Pacientes em coma que parecem isolados do mundo reagem quando sua pele é tocada.

O poeta brasileiro Ferreira Gullar, que viveu de 1930 a 2016, assim escreveu:

Na poltrona da sala
as mãos sob a nuca
sinto nos dedos
a dureza do osso da cabeça
a seda dos cabelos
que são meus
A morte é uma certeza invencível
mas o tato me dá
a consciente realidade
de minha presença no mundo

E, se a gente pensar nos tempos de pandemia, foi preciso colocar em prática novos tipos de toques, de contatos com as pessoas. Para onde foram todos os abraços que tivemos que recolher? A boa notícia é que, além do abraço, outras formas de contato também podem ser muito benéficos. Um estudo com jogadores de basquete nos Estados Unidos mostrou que as equipes que se tocam mais conseguem um desempenho melhor. Os cientistas assistiram a uma temporada inteira do campeonato de basquete e registraram cada vez que os atletas faziam algum contato físico. Batidas de punhos, braços que se encostam, ombros tocados durante um salto, tudo isso leva a melhores resultados.

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