Há poucas coisas piores do que uma indiscrição privada vir a público

Leia e ouça o comentário da psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Pixabay

“Como fazer amigos e influenciar pessoas na era digital” é uma releitura do livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie, escrito originalmente em 1937. A obra traz reflexões sobre a forma como nos relacionamos nas redes sociais. Enquanto lia, lembrei-me dos meus cinco mil amigos virtuais. Acontece que, de quando em quando, desfaço a amizade com alguém. Ontem foi o caso. No perfil de uma pessoa apareceu um texto dizendo que ela teria cometido suicídio e que, infelizmente, não teria resistido à falta de atenção das pessoas do seu convívio. O texto seguiu com uma série de apontamentos.

Eu já esperava para ver onde seria o velório quando vi que tratava-se de uma pegadinha por parte da dona desse perfil. Faça-me o favor, que falta de respeito com os amigos virtuais, com os parentes e com quem, de fato, tem sofrimentos assim na família, ou com quem sofre por conta de pensamentos ou ideação suicida.

Pensei tudo isso ao mesmo tempo em que tive o entendimento de que, ao postar escritas tão dramáticas e apelativas, a pessoa está, de fato, precisando de atenção. Nessa hora, tive vergonha da minha leitura julgadora e punitiva. Mas, a era digital tem disso. Cada pessoa revela de si a cada postagem que faz, ou que condena, critica ou aprecia, mesmo que nem se dê conta disso.


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Aliás, cancelar virou o verbo mais ativo nas redes sociais. Se você fez algo que desagrada, pode ser cancelado pelos amigos. Se for figura pública, o “cancelamento” é em massa. Uma espécie de linchamento social. Ontem, a turma do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Madre Bárbara de Lajeado abordou o tema numa atividade avaliativa. Minha menina me mostrou sua escrita e isso me motivou a também refletir sobre o assunto.

Voltando ao livro Como fazer amigos na era digital, a obra traz alguns fundamentos básicos, que, tantas vezes, a gente esquece. Na página 10 da obra está escrito que não devemos condenar ou constranger os outros. “Se estiver errado, admita”. Nesse sentido, na página 30, a abordagem refere-se ao autocontrole que devemos ter em mementos de raiva ou desânimo. O alerta é de que, quase sempre, os primeiros cinco minutos favorecem a postagem de um pensamento que poderá gerar incômodos em momento seguinte. “Se você aprender a manter o autocontrole, evitará perder horas tendo que se retratar”. Há também o aviso de que todos temos momentos de indiscrição, mas há poucas coisas piores do que uma indiscrição privada vir a público.

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