Há sete anos sem reajuste, aumento do piso nacional do magistério de 31,3% não deve chegar para professores do Estado

A diretora do 8º Núcleo do Cpers, Eloede Conzatti; e a integrante da diretoria e conselheira do sindicato, Luzia Herrmann falam da realidade salarial da categoria


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Eloede Conzatti, diretora do 8º Núcleo do Cpers (e); e Luzia Herrmann integrante da diretoria e conselheira do sindicato (Foto: Rodrigo Gallas)

Há sete anos sem reajuste, os professores do Estado do Rio Grande do Sul (RS) esperam uma recomposição salarial após anúncio de novo piso nacional do magistério, que terá aumento de 31,3% em janeiro de 2022. O piso sairia de R$ 2.888,24 para R$ 3.789,63. O valor corresponde a 40h semanais. Mas de acordo com a diretora do 8º Núcleo do Cpers, Eloede Conzatti, este incremento não chegará para os vencimentos dos professores do Estado do RS.

Atualmente, apenas sete estados pagam o piso nacional, são eles: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Maranhão, Goiás e o Distrito Federal. Segundo ela, o RS é um dos estados com o salário mais baixo da categoria. “Até os anos 90, nós éramos o estado que melhor pagava”, lamenta.

“Estamos em plena campanha salarial porque há sete anos não temos reajuste. Muita gente está entendendo que nós vamos ter este reajuste. Este percentual é lá na lei do piso. Não vamos nos iludir, porque estes 31% não é pra nós”, diz a integrante da diretoria e conselheira do sindicato, Luzia Herrmann.

Segundo ela, o valor base utilizado no cálculo para o salário é de uma tabela de 2014, no valor de R$ 630,10 para 20h. “Hoje, este base é utilizado como teto e, em cima dele, paga-se um completivo. Ninguém pode ganhar menos que o salário mínimo”, explica.

Apesar da desvalorização profissional dos professores do Estado, aqueles que atuam para os municípios da região e nas escolas particulares tem bons salários, pontua a diretora do 8º Núcleo do Cpers.

Em Lajeado, os professores que possuem, apenas, o magistério — atuam normalmente na Educação Infantil — recebem salário base inicial de R$ 1.736,97 para 20h. Já para quem tem graduação, o base inicial é de R$ 2.173,34 para 20h. Estes montantes são maiores que o atual piso nacional. “É por isso que nós estamos perdendo bons professores para as redes municipais e particulares.”

Piso nacional

O aumento de 31,3% é baseado na portaria número 8, dos Ministérios da Educação e da Economia (MEC), datada de 24 de setembro de 2021, que estabelece os parâmetros anuais de referência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A portaria define o Valor Anual Total por Aluno, que é o indicador usado como referência para a correção do piso desde a sua criação.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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