“Há uma certa retenção de recursos quando se tem uma cédula de valor maior”, diz economista sobre nova nota de R$ 200

Novidade lançada pelo Banco Central entrou em circulação na quarta-feira (2). Devem ser impressas 450 milhões de cédulas neste ano.


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Foto: Gabriela Hautrive

Na última quarta-feira (2) foi lançada, pelo Banco Central, e entrou em circulação, a nova nota de R$ 200, com imagem de um lobo-guará. O assunto gerou algumas polêmicas, inclusive de especialistas dizendo que a nota facilitaria a lavagem de dinheiro. Conforme o economista, empresário e professor da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Eloni Salvi, sempre que se faz mudanças, incomoda algumas pessoas. “Lado negativo que eu vejo, é que quando a pessoa tem uma nota maior, o comércio tem que ter mais troco. Isso é um lado ruim, pois o comércio precisa ter um volume maior de dinheiro”, pondera.


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Por outro lado, Salvi entende que quando o consumidor possui uma nota de valor maior, ele tem tendência a reter mais aquele dinheiro. “Tem um produto de R$ 2 ou R$ 5, mas eu tenho uma nota de R$ 200, a não vou trocar, vou ficar com muito dinheiro na mão. No ponto de vista da economia é isso que vejo como uma realidade, há uma certa retenção de recursos quando se tem uma cédula maior”. O profissional não acredita na ideia de que a proposta possa facilitar a prática de crimes. “Sempre que alguém quer cometer algum tipo de crime de ordem financeira, seja lá qual for a atividade ilícita, ele não precisa de tamanho de cédula para fazer isso, só vai ter mais trabalho na hora de carregar, mas vai fazer igual”, pondera o economista.

Com a economia em retração, a expectativa no país é de que a inflação fique abaixo dos 2% neste ano. Salvi relata que, se formos analisar, quando a nota de R$ 100 foi criada, há 26 anos, ela teria hoje o valor equivalente a uma de R$ 500. “Seria uma nota muito maior, com mais poder de compra, o R$ 100 quando foi lançado do que o R$ 200 agora”. A fabricação da cédula de R$ 200 foi autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ao todo, devem ser impressas 450 milhões das novas notas neste ano. O empresário destaca que os caixas eletrônicos terão um volume menor de dinheiro e as pessoas que não possuem o hábito de lidar com processos eletrônicos e precisam fazer transações com cédulas, terão menos espécies no bolso, o que se torna um pouco mais seguro.

Foto: Reprodução / Youtube

A cédula se junta aos seis valores que já estão em circulação: R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. O economista explica que o fato da nota ter um tamanho menor, equivalente ao da cédula de R$ 2, é por conta de que o Banco Central e a Casa da Moeda tentam criar mecanismos para combater fraudes. “Usam novas tecnologias para não haver a falsificação e também para facilitar os meios de pagamento. Quando você tem cédulas diferentes, algumas pessoas conseguem identificar elas pelo tamanho ou pela cor”. Em 2018, uma pesquisa conduzida pelo Banco Central mostrou que 60% da população utiliza o dinheiro como a forma de pagamento. Na sequência apareceram cartão de débito (22%), cartão de crédito (15%), vale-refeição ou alimentação (0,4%) e outros meios (1,9%).

Marcado financeiro

O mercado financeiro espera que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 1,67% neste ano, segundo o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado na última segunda-feira (31). A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) é de uma retração de 5,77% em 2020. (Fonte: G1)

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

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