Herdeiro da Samsung sai da prisão em liberdade condicional

Jay Y. Lee foi condenado a dois anos e meio de prisão em janeiro de 2021 por caso de corrupção envolvendo ex-presidente da Coreia do Sul


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Herdeiro da Samsung, Jay Y. Lee, saindo do Centro de Detenção de Seul, em 13 de agosto de 2021 (Foto: Jung Yeon-je/AFP)

O herdeiro e vice-presidente da Samsung, Jay Y. Lee, saiu da prisão nesta sexta-feira (13). Ele se beneficiou de uma liberdade condicional antecipada concedida pelo Ministério da Justiça da Coreia do Sul.

Lee, de 53 anos, fez uma reverência aos jornalistas que esperavam do lado de fora de um centro de detenção em Seul e disse: “Tenho causado muita preocupação às pessoas, realmente sinto muito”, segundo a agência AFP.

Vestido de preto, Lee continuou: “Estou escutando cuidadosamente suas preocupações, críticas e altas expectativas sobre mim”, antes de deixar o local em uma limusine preta que o esperava.

O executivo, cuja fortuna é estimada em US$ 11,4 bilhões pela Forbes, cumpria uma sentença de dois anos e meio de prisão por pagamento de propina, peculato e outros crimes ligados ao escândalo de corrupção que levou à queda da ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye.

Políticos e líderes empresariais pediram sua libertação antecipada nos últimos meses, temendo um vácuo de liderança no maior conglomerado sul-coreano.

O Ministério da Justiça anunciou na segunda-feira (9) que concedeu liberdade condicional a Lee, juntamente com outras 800 saídas antecipadas, devido a preocupações com o impacto do coronavírus na economia do país.

Na Coreia do Sul, há uma longa tradição de condenar poderosos empresários acusados de suborno, peculato, sonegação de impostos e outros crimes.

No entanto, muitos dos condenados conseguiram ter suas sentenças reduzidas ou suspensas em recurso.

O falecido ex-presidente da Samsung, Lee Kun-hee, que foi condenado duas vezes, recebeu perdões presidenciais em reconhecimento de sua “contribuição para a economia nacional”.

“Este é, sem dúvida, um tratamento preferencial, especialmente porque ainda há outro julgamento em andamento”, disse Song Won-keun, professor de economia da Universidade Nacional de Gyeongsang, à AFP.

Histórico do processo

O processo de Lee começou em 2017, quando ele foi julgado por subornar uma autoridade ligada à ex-presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

O herdeiro da Samsung cumpriu um ano de prisão e saiu após um tribunal de apelações suspender o processo em 2018.

Em 2019, a Suprema Corte do país ordenou que o executivo de 52 anos fosse julgado novamente, o que resultou na condenação de 30 meses de prisão.

Com parte da pena já cumprida, Lee poderia solicitar liberdade condicional a partir de setembro, mas agora isso foi antecipado em um mês.

Escândalo com ex-presidente

A Samsung é, de longe, o maior dos “chaebols”, os impérios industriais familiares que dominam a a Coreia do Sul. Seu faturamento global representa um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é crucial para a saúde econômica do país.

O caso envolvia milhões de dólares que o grupo pagou a Choi Soon-sil, uma confidente da então presidente.

Os subornos foram supostamente destinados a facilitar a transição de poder para o chefe do conglomerado, quando o patriarca Lee Kun-hee estava acamado após um ataque cardíaco em 2014.

Em maio de 2020, o herdeiro se desculpou publicamente na mídia, em particular pelo polêmico processo de sucessão que lhe permitiu assumir a liderança do grupo fundado por seu avô Lee Byung-chull.

Lee Jae-yong havia até prometido que seria o último na linha de sucessão familiar e que seus filhos não herdariam a companhia. Seu pai e avô também tiveram problemas com a lei, mas nenhum deles cumpriu pena de prisão.

Fonte: G1

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