Homem, jovem e poliusuário é o perfil que mais procura o Caps AD devido a problemas com álcool e drogas em Lajeado

O índice de recaídas é altíssimo, reconhece a psicóloga Graciela Pasa


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Foto: Ilustrativa

No Dia Nacional de Combate às drogas e ao álcool, o Redação no Ar desta terça-feira (20) recebeu a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps AD) de Lajeado, Graciela Pasa. No bate-papo, ela contou como são realizados a acolhida e os atendimentos, explicou qual é o perfil dos dependentes químicos na cidade que procuram o órgão, e também como é construído o plano terapêutico de forma multidisciplinar.

Localizado na Rua Santos Filho, 345, no Centro, o Caps AD tem atualmente 600 pessoas ativas vinculadas ao serviço, com pelo menos um atendimento por mês. “Isso é um número expressivo”, reconhece. “Toda semana a gente tem pacientes novos”, confidencia ela.

A equipe tem clínica geral, psicologia, psiquiatria, assistência social, educador físico e social, enfermeiros e técnicos de enfermagem para fazer os acompanhamentos individualizados. Antes de determinar o tratamento, os profissionais fazem toda uma análise de acordo com o histórico do paciente e do risco.

Se precisar de internação, os usuários são levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e à hospital, via Gerenciamento de Internações hospitalares (Gerint). O encaminhamento para a desintoxicação em uma clínica é conforme o caso.

Em Lajeado, a prefeitura tem convênio com o Centro Regional de Tratamento e Recuperação de Alcoolismo (Central) e com o Centro Terapêutico São Francisco. A dependência química pode se tornar um transtorno crônico, e o índice de recaídas é altíssimo, reconhece a psicóloga do Caps AD.

Apesar de ocorrer um aumento de mulheres nos últimos tempos, a maioria dos que procuram ajuda são homens, principalmente jovens entre 18 e 25 anos. Enquanto quem tem problemas com álcool são os mais velhos, os jovens se encontram mais em dificuldade por conta de substâncias como cocaína e maconha, entre outras substâncias.

De acordo com Graciela, é perceptível um perfil de poliusuário, aquele que consome várias substancias ao mesmo tempo.

Embora haja uma preocupação grande por parte dos familiares, “a maioria vem por conta própria”, diz a psicóloga sobre a procura por ajuda no centro de atendimento psicossocial. “A maioria vem com algum reconhecimento do prejuízo, já solicitando ajuda”, explica. “Talvez 10% a 15% por conta de um familiar, e aí são casos mais agravados”, conta.

“O nosso trabalho exige que nós, profissionais, atuemos na motivação desse paciente para o tratamento, e não na resistência dele. Se esse paciente vem pelo viés voluntário, há uma chance maior no sucesso terapêutico”, avalia.

Saiba mais

O Caps AD de Lajeado é uma porta de entrada, assim como postos de saúde e encaminhamentos de outras secretarias (educação, assistência social), Poder Judiciário e Ministério Público.

O centro funciona das 8h às 18h, e o trabalho de acolhida é feito das 8h30 às 16h. Contato pelos telefones (51) 3982-1416 e (51) 3982-1418.

Texto: Tiago Silva
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