Honestidade no trabalho: pré-requisito ou diferencial a ser reconhecido?

Você já viveu alguma situação que o levou a questionar se vale a pena ser honesto? Já sentiu que merecia uma recompensa por ter agido honestamente?


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Debatida com muita frequência, a honestidade é comumente relacionada com não mentir, não fraudar, não enganar o outro, mas o conceito vai muito além. Ser honesto também presume ser verdadeiro consigo mesmo, ter coerência entre o que se diz e o que se faz, característica tão importante na educação das crianças, que são muito influenciadas pelo exemplo.


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Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

No mundo do trabalho, é bem comum observar a honestidade em listas de pré-requisitos para alguma vaga ou como um diferencial no currículo de candidatos. O tema é amplo e permite diferentes opiniões. Para estimular a reflexão a respeito, compartilho aqui o conto chinês intitulado “O pote vazio”.

Há muito tempo, na China, vivia um menino chamado Ping, que adorava flores. Tudo o que ele plantava florescia maravilhosamente. Flores, arbustos e até imensas árvores frutíferas desabrochavam como por encanto. Todos os habitantes do reino adoravam flores. Eles plantavam flores por toda a parte e o ar do país inteiro era perfumado.

O imperador gostava muito de pássaros e outros animais, mas o que ele mais apreciava eram as flores. Todos os dias ele cuidava de seu próprio jardim. Acontece que o imperador estava muito velho e precisava escolher um sucessor. Então, ele mandou anunciar que todas as crianças do reino deveriam comparecer ao palácio. Cada uma delas receberia uma semente especial. “Quem provar que fez o melhor possível dentro de um ano será meu sucessor”, declarou.

A notícia provocou muita agitação. Crianças do país inteiro dirigiram-se ao palácio para pegar suas sementes. Cada um dos pais queria que seu filho fosse escolhido para ser o imperador, e cada uma das crianças tinha a mesma esperança.

Ping recebeu sua semente do imperador e ficou felicíssimo. Tinha certeza de que seria capaz de cultivar a flor mais bonita de todas. Encheu o vaso com terra de boa qualidade e plantou a semente com muito cuidado. Todos os dias ele regava o vaso. Mal podia esperar o broto surgir, crescer e depois dar uma linda flor. Os dias se passaram, mas nada crescia no vaso. Ping começou a ficar preocupado. Pôs terra nova e melhor num vaso maior. Depois transplantou a semente para aquela terra escura e fértil. Esperou mais dois meses e nada aconteceu. Assim se passou o ano inteiro.

Chegou a primavera e todas as crianças correram ao palácio com suas lindas flores, ansiosas por serem escolhidas. Ping estava com vergonha de seu vaso sem flor. Achou que as outras crianças zombariam dele porque pela primeira vez na vida não tinha conseguido cultivar uma flor.

Seu amigo apareceu correndo, trazendo uma planta enorme e perguntou: “Ping, você vai mesmo se apresentar ao imperador levando um vaso sem flor? Por que não cultivou uma flor bem grande como a minha?”. Ping respondeu: “Eu já cultivei muitas flores melhores do que a sua. Foi essa semente que não deu nada”. O pai de Ping ouviu a conversa e disse: “Você fez o melhor que pôde, e o possível deve ser apresentado ao imperador”.

Ping dirigiu-se ao palácio levando o vaso sem flor. O imperador estava examinando as flores vagarosamente, uma por uma. Como eram bonitas! Mas o imperador estava muito sério e não dizia uma palavra. Finalmente chegou a vez de Ping. O menino estava envergonhado, esperando um castigo. O imperador perguntou: “Por que você trouxe um vaso sem flor?”. Ping começou a chorar e respondeu: “Eu plantei a semente que o senhor me deu e a reguei todos os dias, mas ela não brotou. Eu a coloquei num vaso maior com terra melhor, e mesmo assim ela não brotou. Eu cuidei dela o ano todo, mas não deu nada. Por isso, hoje eu trouxe um pote vazio. Foi o melhor que eu pude fazer.”


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