Hospitais da região sofrem com falta de medicamentos para pacientes na UTI

Conforme o presidente do Sindicato dos Hospitais do Vale do Taquari, Fernando da Gama, há ausência de produtos no mercado e os preços estão elevados.


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Imagem ilustrativa (Foto: George Frey / AFP)

Os hospitais do Vale do Taquari estão enfrentado dificuldades na aquisição de alguns medicamentos usados em pacientes na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), tanto pela falta dos produtos como pela alta nos preços, devido ao aumento pela procura em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus.


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Conforme o presidente do Sindicato dos Hospitais do Vale do Taquari e também administrador do Hospital Leonilda Brunet de Ilópolis, Fernando da Gama, inicialmente se encontravam problemas com a falta de IPIs (Itens de Proteção Individual). Agora já é possível encontrar os materiais, mesmo que com preços mais elevados. Porém, a situação ficou mais delicada, pois medicamentos usados para anestésicos, relaxantes musculares e sedativos com aplicação em pacientes que precisam ser internados na UTI, estão em falta.

A situação acontece, conforme Gama, também por conta da troca de ministros da saúde no país. “Perdeu-se uma programação de um olhar para frente, e agora estamos com falta de medicamentos”, entende. O fato se torna preocupante por serem produtos de uso contínuo. “São (remédios) básicos para o atendimento, sem isso, não tem como manter a pessoa em respirador. É um efeito que não se teve uma preocupação, não se pensou que poderiam faltar.”

Em todo o país teve aumento no número de leitos de UTIs e, consequentemente, a utilização dos insumos cresceu. Um paciente com Covid-19 fica entorno de 15 a 20 dias internado e os medicamentos precisam ser aplicados diariamente. A reportagem da Rádio Independente recebeu informação de que dois hospitais do Vale do Taquari não estavam recebendo pacientes da UTI, justamente por conta deste problema. O fato não foi confirmado pelo presidente do sindicato. “Há uma necessidade da medicação e você não pode receber o paciente, pois se não ele vai morrer. Mas existe uma regulação do Estado, desses leitos que foram habilitados pelo Ministério da Saúde, como aqui no Vale, que foram habilitados 35 leitos, que as pessoas podem ser encaminhadas para outros locais.”

Esses leitos ficam em processo de espera, mas havendo necessidade, o Estado encaminha para hospitais onde tenha medicação. “Temos o problema de, eventualmente, surgir uma redução momentânea dos leitos, em função de não ter a medicação. Não podemos esquecer que elas são usadas também para outras cirurgias.” A ausência das substâncias é geral para todos os pacientes que precisam ir para UTI, tanto os diagnosticados com Covid-19, como os que possuem outras doenças.

A diferença, segundo o presidente, é o tempo de uso. Para cirurgias a medicação é aplicada durante três ou quatro horas. Já para tratamento de infecção por coronavírus, a utilização é feita pelo período de 15 a 20 dias. “Se começa usar a medicação para Covid-19, que é muito mais urgente nesse momento, e é preciso reduzir o número cirurgias, pois sem esses itens, muitos procedimentos não podem ser feitos.”

Foto: Pixabay / Divulgação

Não há prazo para normalizar a situação

Conforme Fernando da Gama, não existe até o momento, uma previsão para que os remédios que estão faltando sejam oferecidos em larga escala. O que se sabe é que o Ministério da Saúde está falando sobre o assunto e há uma proposta para que a velocidade de repasse dos auxílios aos hospitais seja maior.

“Os hospitais conseguem se adaptar rápido às necessidades, mas o governo tem uma dificuldade. Importação de medicação? Isso não vai surgir amanhã. O volume de produção nacional também está restrito.” Diante do cenário, todos os hospitais estão trabalhando com aquilo que está disponível no mercado, o que não é suficiente para atender a todos. “Até chegar essas medicações importadas vai levar tempo e nós remos que avaliar isso, então os hospitais vão se emprestando e tentando manter as coisas em funcionamento”, pondera.

Leitos de UTI no Vale

Dos 65 leitos de UTI nos hospitais do Vale do Taquari, 36 estão ocupados, ou seja, 55,3%. Treze das 36 pessoas na Unidade de Terapia Intensiva, ou 36% delas, estão em espaços Covid-19, sejam suspeitas ou confirmadas para a doença. O Hospital Bruno Born, de Lajeado, tem 30 leitos de UTI, sendo 21 ocupados. O Hospital Estrela, em Estrela, dispõem de 20 leitos de UTI. Quatorze estão ocupados (70%). O Hospital Beneficente Santa Terezinha, de Encantado, tem cinco leitos de UTI. Há apenas uma pessoa ocupando leito Covid, representando 20% da capacidade. Já o Hospital de Caridade São José, de Taquari, tem todos os dez leitos de UTI vagos. Os dados são conforme atualização feita nesta quinta-feira (25).

Foto: Pixabay / Divulgação

Temor por colapso no sistema de saúde

Há uma preocupação ainda maior, conforme Gama, em relação a Porto Alegre, onde o contágio por coronavírus vem aumentando e a região está classificada como bandeira vermelha. O que se e teme é por um colapso no sistema de saúde. “É isso que nós temos que cuidar, sempre reforçar, seguir os protocolos, manter o distanciamento, lavar as mãos, tudo isso é necessário para que não ocorra esse colapso, é isso que não queremos.”

Por enquanto, as casas de saúde seguem em funcionamento dentro de suas possibilidades. Os cuidados com a higiene precisam ser, cada vez, mais rigorosos, para o mínimo de pessoas precisam utilizar os hospitais.

Problemas no restante do país

Os governadores Renato Casagrande (PSB-ES), Waldez Góes (PDT-AP) e Mauro Mendes (DEM-MT) reclamaram nesta quinta-feira (26), em audiência no Congresso, da falta de uma coordenação do governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e da dificuldade em obter para a rede hospitalar remédios usados no tratamento da doença.

Eles foram ouvidos em uma audiência da comissão formada por deputados e senadores que acompanha as ações públicas voltadas para mitigar a pandemia. Segundo Casagrande, os recursos repassados pelo governo federal têm chegado aos estados, mas ainda falta uma articulação mais próxima com governadores e prefeitos. Fonte: G1

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

 

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