Hospitais vão recorrer de decisão do TJRS que restabeleceu novas tabelas do IPE Saúde

Entidades dizem que novas normativas aprofundarão prejuízo de instituições e podem provocar suspensão de atendimentos pelo serviço


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Foto: Matheus Lopes / Ascom IPE Saúde

A Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Rio Grande do Sul (Fehosul) e a direção-geral da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre se manifestaram com preocupação após a decisão da desembargadora Laura Louzada Jaccottet, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do RS (TJRS), de terça-feira (23), no sentido de restabelecer as instruções normativas do IPE Saúde que autorizam as novas tabelas de remuneração da instituição, e derrubar liminar anterior que as suspendiam.

O texto da desembargadora foi favorável ao Ministério Público do RS e ao próprio governo do estado, por meio da Procuradoria-Geral (PGE-RS), que haviam ingressado com a liminar contra a suspensão das tabelas, determinada anteriormente pelo Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. Este pedido havia sido feito por 13 hospitais prestadores de serviços de alta complexidade, entre eles, a Rede Divina Providência, o Hospital São Lucas da PUCRS e a Santa Casa da Capital, que, juntos, atendem 60% da demanda do IPE Saúde no RS.

Em nota, a Fehosul disse que se reunirá nos próximos dias para “avaliar os próximos passos”, mas que “o indicativo, até o momento, é de suspensão de realização de atendimentos eletivos”. “Recebemos a decisão desta terça-feira com a mesma tranquilidade que as duas demais, onde fomos beneficiados com a liminar. Temos a confiança de que, ao analisar toda a documentação apresentada, o Poder Judiciário compreenderá o tamanho do prejuízo que essas novas tabelas trarão aos hospitais”, disse Vanderli de Barros, presidente da Federação RS, que representa Santas Casas e instituições hospitalares sem fins lucrativos no estado.

Já o diretor-geral da Santa Casa de Porto Alegre, Júlio Lemos, afirmou que esta decisão será tomada até sexta-feira, e as entidades buscarão reverter, no colegiado do próprio TJRS, a decisão da desembargadora. “Os hospitais, evidentemente, precisam se manter de alguma forma, e garantir as condições assistenciais para assistir os pacientes do IPE”, comentou ele, após a Assembleia Geral Ordinária da mantenedora da Santa Casa, hoje pela manhã, na qual as novas tabelas ingressaram na pauta.

Ainda conforme ele, há uma disparidade entre o que o IPE oferece e o que os hospitais atendem. Somente na Santa Casa, há, nesta quarta, 180 pacientes do serviço estadual de previdência internados. Caso se mantenham as novas tabelas remuneratórias, ou seja, o que o IPE paga pela disposição de medicamentos, realização de cirurgias, entre outros, eles não serão afetados, “e serão atendidos até suas altas definitivas”.

Ainda conforme ele, um milhão de pessoas são assistidas anualmente pelo complexo, 650 mil destes pelo SUS, e o prejuízo com o sistema público é de R$ 150 milhões, cifra que cresce anualmente.

Fonte: Guaíba

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