Idoso sem Covid-19 leva 13 horas para conseguir leito de UTI, diz família

Homem de Cruzeiro do Sul, de 80 anos, precisava de atendimento urgente para infecção. Na noite da quinta-feira (14) ele foi levado para Cachoeira do Sul.


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Foto: Ilustrativa / Reprodução Infomoney

Durante metade de um dia, uma família de Cruzeiro do Sul viveu a incerteza de conseguir um leito de UTI para o avô, de 80 anos. Francisco Rufino Pinheiro, morador do Centro da cidade, foi internado na quarta-feira (13) com herpes zóster. O quadro piorou e ele precisou ser entubado, além de ter a necessidade de atendimento de alta complexidade. Como não há ala deste tipo no Hospital São Gabriel Arcanjo, de Cruzeiro do Sul, teve início uma busca por acolhimento em todo o estado.


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Foram 13 horas de espera, segundo a neta Aline Moreno, de 37 anos. Ela conta que na quarta-feira, quando ele chegou no hospital, foram realizados vários exames – entre eles o de Covid-19. O resultado foi negativo. “Na quarta-feira mesmo veio o resultado diagnosticando que ele estava com uma infecção”, diz. A madrugada seguinte foi de piora no quadro de saúde. Pinheiro foi para a emergência do hospital.

Na manhã da quinta-feira (14) a família do cruzeirense foi chamada para saber do agravamento do caso. Neste momento teve início a busca por leitos. “A equipe do hospital se mobilizou para conseguir um leito na região, mas infelizmente não foi possível”, relata a neta. Foi, então, acionada a Central de Leitos do Estado. Como o quadro piorou, no meio da tarde o idoso foi entubado e induzido ao coma. O pedido por leito ganhou caráter de urgência, mas, mesmo assim, houve demora no desfecho.

Por volta das 21h30 a família recebeu a informação de que haveria um leito de UTI Adulto no Hospital de Caridade e Beneficência de Cachoeira do Sul – para onde o idoso foi levado. Toda a situação ocorreu num dia em que o Vale do Taquari celebrava a ampliação dos leitos para pacientes Covid-19, sendo dez de UTI em Estrela e outros dez de Internação em Taquari, o que revoltou a família.

“O que nos deixa bastante indignados, e é um sentimento de toda a família, que não desejamos para ninguém, é que se ele tivesse dado positivo no teste do Covid nós tínhamos conseguido um leito na região”, reclama a neta. Na tarde de quinta-feira, durante a busca pelo leito, a Central de Regulação pediu que um novo exame fosse feito para coronavírus. Pela segunda vez, o resultado foi negativo para a doença.
A familiar diz entender o momento de pandemia, mas questiona como será o acolhimento aos pacientes que sofrem com outras enfermidades. “Passa a sensação de que as pessoas não podem adoecer, não podem ter outro tipo de doença porque senão não vão ter suporte. Foi triste ver a realidade em que nos encontramos na quinta-feira”. Para ela, o quadro do idoso foi agravado com a demora para um leito de UTI.

O que dizem os hospitais

Elo entre o Vale do Taquari e o governo do Estado quando o tema é saúde, a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (16ªCRS) busca informações sobre a demora para a destinação de um leito ao idoso, bem como a distância para com o que foi encontrado, de aproximadamente 150 quilômetros. Coordenador adjunto do órgão na região, Ederson da Rocha disse à reportagem que a Central de Leitos não atende a imprensa e que o contato será encaminhado pela coordenadoria.

Casas de saúde da região com leitos UTI Adulto foram procuradas pelo Grupo Independente. O Hospital Bruno Born (HBB), de Lajeado, alegou que a UTI Adulto chegou a 100% da ocupação na quinta (14), ou seja, não haveria disponibilidade para receber o homem. Explicou ainda que “não há como colocar um paciente sem Covid em uma ala Covid”. Já o Hospital Estrela informou, por meio da assessoria de imprensa, que não recebeu contato da Central de Regulação para o referido caso.

Até o fim da manhã desta sexta-feira o idoso seguia no hospital de Cachoeira do Sul, internado na UTI. Segundo a neta houve melhora no quadro durante a madrugada.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

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