Imbróglio jurídico é uma falta de consideração com as crianças, afirma diretor do Ceat

“Como é que um pai, uma mãe ou um professor vão lidar?”, questiona Rodrigo Ülrich, que relata um sentimento de desvalorização por parte dos educadores e das instituições de ensino


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Diretor do Ceat, Rodrigo Ülrich (Foto: Tiago Silva)

A falta de aulas e a insegurança jurídica quanto ao retorno das atividades presenciais nas escolas eleva a ansiedade na comunidade escolar. A opinião é do diretor do Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), Rodrigo Ülrich. Conforme ele, há um grande sentimento de desconforto com a situação. Os comentários foram feitos em entrevista ao programa Troca de Ideias nesta segunda-feira (26).


ouça a entrevista

 


 

Na última sexta (23), o Governo do RS autorizou a cogestão na educação e autorizou o retorno da Educação Infantil e 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, mesmo na bandeira preta, para regiões que adotaram a possibilidade de regras mais brandas no Modelo de Distanciamento Controlado. Porém, neste domingo (25), a Justiça gaúcha reafirmou a posição que de, enquanto o estado estiver em bandeira preta, não há liberação para aulas presencia.

“Quando a gente está trabalhando com crianças, num processo normal, já existe toda uma atenção para a adaptação dessa criança, um trabalho. Em meio a uma pandemia, isso triplica. E em meio a um imbróglio jurídico, é uma falta de consideração com as crianças. Especialmente é esse o sentimento que paira sobre a gente”, percebe Ülrich, “porque não tem como você conseguir conduzir e trabalhar ignorando tudo isso, e as crianças é que estão sofrendo ali na ponta”, justifica.

“Se para uma adulto já é complexo de lidar com tudo isso, vamos olhar para as nossas crianças”, suplica. “Como é que um pai, uma mãe ou um professor vão lidar?”, questiona. O diretor do Ceat indaga como que um educador terá a tranquilidade necessária para elaborar um planejamento para as aulas, sem saber se ministrá de forma presencial ou remota. “Precisa estar forte, bem para acolher a criança”, reforça, sobre o estado de espírito do corpo docente.

“O nosso sentimento, para quem vive isso e tenta fazer a educação, é horrível. É completamente compreensível que nos gere, como educadores e instituições de ensino, um sentimento de desvalorização”, lamenta.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

1 comentário

  1. Como pais, sentinos o mesmo que os professores e nos solidaruzamos com seus anseios e angústias. Governos que deveriam primar pelo bem estar e desenvolvimento na infância e além de não fazê-lo são parte daqueles que prejudicam e ignoram a importância da vida nessa faixa etária. Há uma geração de crianças crescendo sem o devido respeito e sensibilidade em uma fase tão significativa para todo ser humano. A dignidade na infância não está sendo respeitada, muito menos assegurada. Não há como fazer educação dessa forma. Há crianças que foram matriculadas na educação infantil e em 2022 passarão para o primeiro ano do fundamental sem ter praticamente nem frequentado a educação infantil. Como isso se dará…os ptofessores vão ter que dar um jeito? Eles já estão fazendo muito além do que o possível para nos ajudar como pais, para observar a singularidade e a segurança emovional das crianças com o melhor que podem. Mas não há como continuarmos assim, é totalmente inviável. Não são todos que se adaptam. Isso é um crime contra a infância!
    Um sistema totalmente corrompido alegando proteção da vida…vida é muito mais que subsistir, quanto mais se falando de infância e de vocação!
    Temos que juntos, escola e famílias, lutar contra essa vergonha e construir um novo horizonte na educação. Pq no que dependermos de mandoa e desmandos já perdemos dois anos nisso!

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