Inflação tende a ficar nesses níveis até o fim do ano, com alguma redução para o ano que vem, explica economista

Rafael Spengler projeta que a inflação feche o ano entre 8,5% e 9%. “Dado o cenário caótico, seria uma coisa boa nesse sentido”, comenta


2
Doutor em Economia e professor da Univates Rafael Spengler (Foto: Tiago Silva)

O doutor em Economia e professor da Univates Rafael Spengler fez uma análise do cenário econômico brasileiro em entrevista ao Redação no Ar desta terça-feira (17). De acordo com ele, a inflação generalizada nos últimos tempos atinge o chamado índice de difusão na casa dos 80% dos produtos analisados. Segundo o economista, a situação é agravada pelo fato de os salários não acompanharem o mesmo ritmo. A população sente o dinheiro encurtar nos supermercados e em todos os setores da cadeia produtiva. Spengler lembra também que os combustíveis em alta encarece os custos logísticos.

Segundo o professor universitário, fatores como pandemia e a guerra na Ucrânico formularam cenários desafiadores no mundo todo. De modo que o preço da gasolina e do diesel no Brasil, por exemplo, dependem desse contexto externo. Spengler ressalta que a tendência de alta deve continuar, a menos que a Petrobras mude a sua política de paridade com os preços internacionais.

O economista explica que a fórmula de calcular a inflação é complexa: há uma lista imensa de produtos a serem avaliados periodicamente, e cada um tem seu peso comparado aos demais e também há diferenças de valoração conforme a região, para refletir os padrões de consumo locais. Por isso Spengler sugere que os consumidores façam pesquisa de preços e, na medida do possível, procurem substituir produtos por outros mais em conta neste momento de dificuldade.

Ele não vê melhora no curto prazo. “A tendência é que permaneça em nível similar ao que está hoje, talvez com alguma redução para o ano que vem. Num curto prazo vão permanecer em alta, até porque o dólar não deve diferir muito de valor e temos uma eleição pela frente, que tende a gerar algum ruido também”, analisa.

Spengler faz projeções de que a inflação feche o ano entre 8,5% e 9%. “Dado o cenário caótico, seria uma coisa boa nesse sentido”, comenta. O economista explica que uma das medidas para frear a inflação é o Banco Central elevar a taxa básica de juros, a Selic, para que haja menos dinheiro circulando e forçar a baixa dos produtos.

Liberação do FGTS

A liberação de até R$ 1 mil do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) representa um respiro financeiro para muitos brasileiros poderem pagar contas atrasadas. Rafael Spengler destaca que é mais um salva vidas em momento de aperto financeiro.

Porém, também há o risco de mais dinheiro em circulação elevar os índices inflacionários, observa o economista. Por isso ele orienta a busca pela negociação com os credores e, caso sobre, se invista.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

2 Comentários

  1. Esse governo quer entregar o Brasil para o mercado, depois a gente paga a conta. Ou alguém acha que se privatizar, a empresa que comprar vai querer baixar os preços? A solução seria investir em refinarias no Brasil para evitar de ter que refinar o petróleo no exterior e ter que importar os derivados com preço em dólar. A gasolina mais cara do Brasil é vendida pela refinaria da Bahia que já foi privatizada. Reflita sobre isso antes de apoiar esse golpe no Brasil…

  2. Esse saque do FGTS é uma grande amardilha pois quem saca agora não poderá sacar quando for demitido….

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui