Intubar pode prejudicar ainda mais o paciente? Médico responde

“A intubação é extremamente necessária e ela protege”, defende o médico Juliano Dalla Costa.


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Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Divulgação

O médico Juliano Dalla Costa, que atua na UTI Covid e na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital Bruno Born (HBB), respondeu se intubar um paciente no tratamento contra as complicações causadas pelo coronavírus pode prejudicar ainda mais o pulmão. Conforme ele, “nesses pacientes que apresentam uma deterioração rápida do pulmão, a intubação é extremamente necessária e ela protege”. “Claro que nem todo mundo, apesar disso, responde bem”, pondera. As explicações foram dadas em entrevista no programa Troca de Ideias desta quinta-feira (14).


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Conforme o médico, há dispositivos que podem evitar a necessidade de intubação, como cateter nasal de alto fluxo. Porém, quando ela for necessária, deve ser utilizada. “A gente não pode postergar uma intubação, às custas de o paciente piorar ainda mais”, defende.

“A intubação ainda é, sim, extremamente necessária para aqueles pacientes que necessitam de oxigênio, mas que seguem piorando e apresentam um padrão respiratório que vai comprometer ainda mais o pulmão daquele doente”, detalha.

“Quando o pulmão está inflamado pela doença, muitas vezes quando o paciente chega no hospital não é mais por uma ação do vírus, que ainda está em atividade”, descreve. “Muitas vezes o vírus, na verdade, já saiu do organismo, e o que a gente está vendo são vestígios da resposta inflamatória do próprio corpo da pessoa, uma resposta inflamatória por vezes exagerada”, aponta. “O que a gente habitualmente vê é a própria inflamação secundária à nossa resposta ao vírus”, percebe. “Isso pode gerar ainda mais inflamação e prejudicar ainda mais a estrutura do pulmão.”

“Nesses casos, a internação é primordial”, defende Dalla Costa. “O paciente necessita ficar com medicamentos e sedativos para bloquear a musculatura. E a gente deixa parâmetros na respiração artificial que a gente chama de ‘protetores’. Porque o principal tratamento da Covid é a gente conseguir passar por esse período de inflamação sem lesar ainda mais o pulmão do paciente”, frisa.

Para o profissional, a Covid-19 é “uma doença muito grave, que tem um potencial de dano muito grande”. “Por vezes, isso não depende só do cuidado médico, porque o principal tratamento acredito que seja o tempo. É isso que a gente também aprendeu nesse ano”, analisa o especialista.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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