Jornalista do Vale do Taquari participa de estudo da vacina canadense contra a Covid-19

Édson Luís Schaeffer recebeu a primeira dose do placebo em estudo no dia 3 de julho


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Édson Luís Schaeffer está participando de estudo da vacina canadense (Foto: Divulgação)

O jornalista Édson Luís Schaeffer (30), de Teutônia, está participando do estudo da vacina Medicago – CoVLP-021 contra a Covid-19, que está sendo desenvolvida pelo Laboratório Medicago (Canadá), com componentes da GlaxoSmithKline (EUA). No último sábado (3) foi administrada a primeira dose da vacina ou do placebo no Instituto de Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que está realizando o estudo no Rio Grande do Sul.

Schaeffer, que é jornalista na Conte Comunicação & Marketing, em Lajeado, tomou conhecimento do estudo por meio de reportagem veiculada em um jornal da região. Após pesquisar mais sobre a vacina que está sendo desenvolvida, se inscreveu juntamente com mais um integrante da família no dia 30 de maio.

Vários fatores embasaram a decisão de se candidatar para o estudo: a possível demora até ser imunizado por uma das vacinas atualmente autorizadas; a referência das pesquisas da casa de saúde; e o currículo do pesquisador principal, Luciano Hammes. “Para outras vacinas, a participação de voluntários foi fundamental. Então, me perguntei do porquê também não ser voluntário e dar a minha contribuição à ciência, tendo em vista que as informações que tive até então sobre a vacina em estudo são satisfatórias e otimistas a partir do que se observou nas fases 1 e 2”, destaca.

Inicialmente, o estudo disponibilizou 500 vagas, sendo 250 para receber a vacina em estudo e 250 para o placebo. “Como fiz a inscrição no final de maio e não recebi o contato telefônico nas duas semanas seguintes, achei que não tivesse ter sido selecionado. Mas, no dia 2 de julho, recebi a mensagem da equipe de pesquisa de que mais 500 doses foram disponibilizadas para o Hospital Moinhos de Vento e me perguntaram se ainda tinha interesse em participar. Logo confirmei, sendo agendada a primeira visita ao hospital para o dia seguinte”, revela.

Com a participação confirmada, a equipe de pesquisa já iniciou o contato repassando orientações, reforçando as informações preliminares no site do estudo, além de enviar o Termo de Consentimento Prévio. Dentre os requisitos estão não prever uso de qualquer tipo de vacina 14 dias antes e até o dia 28 do estudo; não utilizar nenhum medicamento em pesquisa; não ter recebido vacina para Covid-19; não utilizar nenhum medicamento anti-viral com a intenção de profilaxia para Covid-19 30 dias antes do estudo e durante todo o estudo; e não ter diagnóstico prévio confirmado de COVID-19.

Em todo momento, seja por e-mail, seja no dia da primeira visita ao hospital, também era deixado claro outro requisito importante: durante o estudo, não é permitido o uso de qualquer tipo de vacina para Covid-19, em estudo ou aprovada. “Caso chegue a minha vez de ser vacinado pelos órgãos públicos, tenho a opção de sair do estudo a qualquer momento e solicitar conhecer o que foi administrado, o que, por ora, não estou cogitando”, enaltece.

A primeira dose da vacina ou do placebo foi administrada no sábado, dia 3 de julho, momento que o estudo chama de Dia 0. Na ocasião, ainda houve a assinatura de Termo de Consentimento, coleta de histórico clínico, coleta de sangue, entrega de diário para ser preenchido em casa sobre sintomas, bem como treinamento, durante os 30 minutos pós administração da vacina ou placebo, de como utilizar o aplicativo do estudo e o que informar nas planilhas.

Próximos passos

Administrada a primeira dose, iniciou-se um rito de acompanhamento de possíveis reações. Ainda no sábado, em casa, o jornalista teve que medir a temperatura corporal, com termômetro debaixo da língua, bem como medir o possível vermelhidão ou inchaço no local da aplicação com uma régua específica. Essas informações, bem como as demais possíveis reações, como dores musculares ou nas articulações, dores de cabeça, inchaços no pescoço e nas axilas, precisam ser informadas diariamente no aplicativo do estudo.

Além disso, em uma planilha impressa, é preciso informar qualquer medicação que venha ser administrada, mesmo que um paracetamol para dor de cabeça, e qualquer sintoma que possa estar relacionado à vacina. E, se houver sintomas de Covid, é preciso informar a equipe de pesquisa tanto pelo site quanto pelo WhatsApp.

No dia 24 de julho, será administrada a segunda dose da vacina ou do placebo, o que o estudo chama de Dia 21. Também estão previstas idas ao hospital no dia 42, para coleta de dados clínicos e coleta de sangue; dia 201, para coleta de dados clínicos; e Dia 386, novamente para coleta de dados clínicos e coleta de sangue.

Em certo momento do estudo, se comprovada a eficácia da vacina, ocorrerá o cruzamento, isto é, quem tomou placebo receberá a vacina e vice-versa. Isso permite que o estudo seja continuado e que todos tomem a vacina. “Neste momento, tenho a opção de seguir cegado e continuar o estudo ou então quebrar o cegamento e saber o que foi administrado, sem seguir no estudo”, coloca o jornalista.

Schaeffer ainda coloca que a equipe de pesquisa, incluindo médicos, mantém contato constante e diário, até várias vezes ao dia, por WhatsApp, para reforçar cuidados e abastecimento de informações, esclarecer dúvidas sobre sintomas ou reações do que foi administrado. Se preciso, ainda é feito contato telefônico. “Qualquer situação atípica, que necessite inclusive de atendimento hospitalar, o Hospital Moinhos de Vento dará todo o suporte necessário, sem sobrecarregar o SUS, o que nos dá uma segurança a mais”, expõe.

Expectativas

O produto que foi administrado foi definido por meio de sorteio e poucas pessoas do estudo sabem o que foi administrada a vacina ou o placebo. A chance de ter recebido a vacina ou placebo é 50%/50%. “Estou na expectativa de ter tomado a vacina, até por algumas reações que tive, que acredito que o placebo não causaria. Mas sabe-se que isso pode ser psicológico e a certeza somente terei ao longo do estudo. Fico na ansiedade e, independente de ter sido vacina ou placebo, tenho a ciência de manter os cuidados contra a Covid”, enaltece.

A sensação de participar do estudo, conforme Schaeffer, é indescritível. “Ao mesmo tempo em que se tem esta expectativa, fala mais alto a satisfação, a alegria de ajudar a ciência. Saber que, se comprovada a eficácia desta vacina, posso estar fazendo parte da história no combate ou prevenção a Covid-19, é algo indescritível, uma sensação única de felicidade e de ter feito a diferença. Tenho confiança de que esta vacina terá eficácia e em breve poderá estar disponível para a população”, sublinha.

Sobre a vacinação contra a Covid em andamento, Schaeffer é enfático. “Temos vacinas já aprovadas a disposição e, chegando na sua vez, imunize-se com a vacina que estiver disponível. Independente do tipo de vacina, tem voluntários que, assim como eu, se colocaram à disposição da ciência para que o quanto antes se pudesse iniciar a imunização e assim retomar a normalidade”, finaliza.

O estudo da vacina canadense ainda tem vagas. Mais informações e e inscrições devem ser feitas ainda esta semana no site www.participevacinacovid19.com. Se selecionado, o Hospital Moinhos de Vento fará contato por WhatsApp ou telefone. AI/VM

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