José Fortunati elenca como desafios de Brasília retomar o crescimento e rediscutir o sistema tributário brasileiro

Para o ex-prefeito de Porto Alegre, que será candidato a deputado federal em 2022, a pandemia acentuou as diferenças nos sistemas público e privado de educação, e elevou a importância do SUS


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José Fortunati foi prefeito de Porto Alegre entre 2010 e 2016, ex-secretário da Educação do RS, ex-vereador, ex-deputado estadual e federal (Foto: Tiago Silva)

Em visita ao Vale do Taquari, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fortunati, atualmente no Partido Republicano da Ordem Social (Pros), participou do Redação no Ar desta terça-feira (19). No programa ele explicou que a sigla, a qual ingressou em fevereiro deste ano, tem apenas 8 anos de fundação. Segundo Fortunati, que tem 45 anos de vida pública, o Pros é um partido que permite o livre debate de seus membros, a pluralidade de pessoas e de ideias, e evita discussões pautadas por ofensas e adjetivações.

No RS, o político, que deve ser candidato a deputado federal em 2022, recebeu a missão de estruturar a agremiação para as próximas eleições. O Pros não terá candidato a governador, adianta. “Não temos esse tamanho, esse fôlego, e reconhecemos isso”, observa ele, sobre a necessidade de construção de alianças.

Fortunati integrou o PT por 21 anos, e foi um dos fundadores do partido, na década de 1980. Depois, ficou no PDT por 15 anos, pelo qual foi prefeito de Porto Alegre por dois mandatos (2010-2017). Saiu do partido em 2017 e teve passagens pelo PSB e PTB antes de chegar ao Pros. O advogado e administrador de empresas atualmente realiza um mestrado em Ciências Políticas em Portugal. Porém, trancou o curso em função da pandemia e dos reflexos econômico-financeiros do momento.

O ex-prefeito entende que, em Brasília, poderá contribuir para o debate nacional. Entre seus temas principais está recuperar crescimento econômico e rediscutir o sistema tributário brasileiro, que é regressivo: faz com que os trabalhadores de menor poder aquisitivo paguem mais impostos, observa.

Fortunati analisa que a economia brasileira tem uma dependência internacional muito forte. Nas suas palavras, o Brasil ainda “não conseguiu se libertar” desses componentes. Ele critica a condução da pandemia pelo Governo Bolsonaro, mas pondera que “fatores externos têm pressionado a economia brasileira”, ao citar especialmente o preço do barril dos combustíveis. Para ele, o ministro Paulo Guedes deixou de ser eficaz na política econômica pois estaria mais preocupado em atender as demandas para a reeleição de Bolsonaro.

No entendimento de Fortunati, a pandemia fez com que as pessoas notassem a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, é preciso atacar os problemas do SUS, como subfinanciamento, corrupção e desvios de finalidade, e não o SUS em si.

Outro segmento que também foi bastante afetado pela pandemia foi a educação. Fortunati, que foi secretário de Educação do RS no governo Germano Rigotto (MDB), o período em que as aulas foram comprometidas pela covid-19 representa um colapso para a educação. Na sua visão, essa situação acentuou ainda mais o distanciamento de investimentos e qualidade das redes pública e privada de educação. Por isso, elenca dois desafios aos gestores: reduzir esse distanciamento e recuperar a defasagem de aprendizado dos alunos.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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