Júri da Kiss chega ao sétimo dia com oitiva de ex-operador de áudio da banda, arquiteta e chefe dos bombeiro

Expectativa é de que o julgamento se estenda por até duas semanas, período em que serão ouvidas 28 testemunhas e sobreviventes da tragédia


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Foto: Divulgação

Começou às 9h o sétimo dia do maior julgamento da história do Rio Grande do Sul. O júri da Kiss, que teve início na última quarta-feira (1º), iniciou os trabalhos desta terça-feira (7) ouvindo Venâncio da Silva Anschau, técnico de som da banda Gurizada Fandangueira, e testemunha da defesa de Marcelo de Jesus.

Na sequência estão programados os depoimentos de Nivia da Silva Braido, arquiteta indicada pelo Ministério Público, e Gerson da Rosa Pereira, arrolado pela defesa de Elissandro Spohr. A expectativa é de que o julgamento se estenda por até duas semanas, período em que serão ouvidas 28 testemunhas e sobreviventes da tragédia.

O que marcou o sexto dia?

O julgamento das quatro pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por 242 homicídios com dolo eventual na tragédia da boate Kiss chegou ao sexto dia com 20 testemunhas e sobreviventes ouvidos desde quarta-feira, dia 1º de dezembro. Os réus são Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios da Kiss, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, da banda Gurizada Fandangueira. Ainda serão ouvidas oito testemunhas, uma delas sobrevivente da tragédia em Santa Maria.

Nesta segunda-feira (6) os depoentes foram o promoter Stenio Rodrigues Fernandes, as vítimas sobreviventes Willian Renato Machado e Nathália Daronch – o primeiro funcionário e sobrinho e a segunda esposa de Elissandro Spohr – e Márcio de Jesus dos Santos, todos arrolados pelas defesas. Além dos promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e David Medina da Silva, que atuam em plenário, o procurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, acompanhou o depoimento de Stenio no plenário.

O promotor da boate afirmou em plenário que o réu Mauro era apenas investidor. A promotora Lúcia Helena Callegari, então, expôs vários trechos do depoimento da testemunha à Polícia Civil. Em um deles, Stenio diz que Mauro tinha poder de gestão na Kiss.

Willian Renato Machado, sobrevivente e sobrinho de Elissandro, prestou depoimento à tarde. Ele disse em seu depoimento que os fogos na boate foram acesos durante a segunda música do show da banda Gurizada Fandangueira. Willian preferiu não responder à promotora se a empresa em que trabalha pertence à família do tio, o réu Elissandro.

Respondendo ao promotor David Medina da Silva sobre o extintor de incêndio que ficava embaixo da bancada do DJ, afirmou que aquele equipamento era utilizado para fazer efeito de CO² na boate, confirmando uma tese do MPRS de que extintores da boate eram usados para outros fins.

Também foi ouvido nesta segunda-feira o músico Márcio de Jesus dos Santos, irmão do réu Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira. O depoimento dele durou mais de três horas. Questionado pelo juiz se o réu Elissandro, sócio-proprietário da boate, sabia que usariam artefatos pirotécnicos na noite da tragédia, depoente, que era percussionista da banda, disse: “Isso nós usávamos sempre” e que o grupo nunca recebeu instruções para não usar.

Primeiro a fazer perguntas pela acusação, o promotor de Justiça David Medina da Silva perguntou ao músico que estava tocando quando o incêndio começou o que ele viu queimar no teto, acima do palco, e o músico respondeu que “foi a espuma”. Logo a seguir a promotora Lúcia Helena Callegari perguntou ao depoente se a banda tinha algum planejamento caso “desse algo errado” nos shows pirotécnicos, depoente respondeu ao MP: “Não tínhamos porque nunca deu”. TJDRS

Texto: Vinicius Mallmann
regional@independente.com.br

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