Lajeado triplica o repasse de cestas básicas para famílias do município nos primeiros meses do ano

Além de pessoas carentes, o benefício é entregue a informais e pequenos empresários liberais. Em 2021 já foram repassados cerca de 2,2 mil kits


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Itens considerados básicos para alimentação fazem parte do kit (Foto: Ilustrativa / Pixabay / Divulgação)

Com a chegada da pandemia, há um pouco mais de um ano, a situação financeira de quem já passava por dificuldades ficou ainda mais delicada. Além disso, integrantes de famílias que normalmente não tinham necessidade de receber doações, como pequenos empresários liberais do município, acabaram perdendo suas rendas e passaram a precisar de ajuda. Esses fatores fizeram com que Lajeado triplicasse o número de repasse de cestas básicas para população nos primeiros meses de 2021. O comparativo dos últimos anos mostra que, em 2019, a média mensal de alimentos entregues para as famílias foi de 100; em 2020 chegando 244 e neste ano, já foram distribuídas 2.260 mil em três meses, contando janeiro (880); fevereiro (600) e março (783).


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O movimento acontece, conforme a assistente social e coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Espaço da Cidadania, Fátima Luciane Machado, justamente por conta do aumento pela procura e mudança no perfil do público. “Tivemos que repensar alternativas que complementassem o atendimento a famílias em vulnerabilidade. A pandemia trouxe a questão do desemprego e o trabalho informal também teve uma diminuição considerável”, explica.

Uma das alternativas propostas pela prefeitura foi produzir a cesta solidária, com um projeto pensado junto da comunidade e contando com recursos vindos dos poderes executivo e legislativo. “70% da população que nunca havia acessado o serviços das assistência social passaram a utilizar, pois são pessoas que tinham uma renda e passaram a não ter em virtude da perda do emprego, então nossa demanda de atendimento aumentou por conta do público que não era prioritário”, destaca.

Coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Espaço da Cidadania, Fátima Luciane Machado (Foto: Gabriela Hautrive)

Em 2019 foram repassadas cerca de 1.200 cestas, em 2020 aproximadamente 6 mil, aumentando em 1,5 mil famílias que passaram a ter acesso aos alimentos. Em 2021, projetando uma média de 500 kits por mês, serão repassados até o final do ano, cerca de 6 mil novamente, porém, somente nos primeiros três meses já foram mais de 2,2 cestas. Os itens repassados para população são adquiridos pelo município através de processo licitatório, com base em uma lista de prioridades definida pelo Governo Federal. “São os itens básicos, feijão, arroz, massa, leite em pó, açúcar, sal, farinha de milho, de trigo. São produtos que vão complementar a necessidade daquele grupo familiar.”

O benefício é repassado de forma eventual dentro da política de assistência social para famílias que estiverem dentro dos critérios estabelecidos, como explica Luciane. “Que possuem meio salário mínimo de renda familiar, possuem acompanhamento ou necessitem de auxílio podem acessar a acolhida do Cras.”

Como a demanda é maior que a oferta, a assistente relata que são impostas algumas outras exigências. “Inscritos em Cadastro Único, famílias que já tiveram perda de renda, que não estão no cadastro, mas que precisam, serão avaliados e contemplados também.”

Programa federal

Recentemente, em março de 2021, o Governo Federal lançou um programa de distribuição de cesta básica para localidades em situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos via Ministério da Cidadania. A portaria que prevê a possibilidade foi publicada no Diário Oficial da União. A “Ação de Distribuição de Alimentos” garantirá o acesso a alimentos desde que a situação de emergência e o estado de calamidade pública tenham sido decretados pelo ente federativo e reconhecidos pelo governo federal.

O documento apresenta uma lista de procedimentos e que deverão ser levados em consideração para que sejam atendidos com a ação de distribuição de alimentos, que será coordenada pela Secretaria Nacional de Inclusão Social e Produtiva.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

 

 

 

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