Leitos de saúde mental estão sobrecarregados, e espera por vagas chega até 72h

“São fortes indícios que o sistema lotou, que não está conseguindo dar conta”, constata o psiquiatra Rafael Moreno


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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O médico psiquiatra Rafael Moreno voltou ao tema da onda de transtornos mentais decorrentes da pandemia de coronavírus em participação no quadro “Direto Ao Ponto” desta segunda-feira (23).

Conforme ele, a crise de saúde ocasionou em novos casos de saúde mental e agravamento daqueles que já estavam em tratamento. Moreno relata a dificuldade que os profissionais de saúde têm tido para encontrar leitos disponíveis para essas internações.

De acordo com ele, 100% dos leitos especializados estão ocupados, e há registro de espera de mais de 72 horas por uma vaga. “Não conseguimos encaminhar a tempo”, lamenta. “São fortes indícios que o sistema lotou, que não está conseguindo dar conta”, constata.

Moreno entende que a pandemia expôs falhas históricas. Nos hospitais gerais, até 15% dos leitos devem ser para saúde mental. O médico explica que os leitos em hospitais psiquiátricos estão reduzidos em função da legislação atual no país.

Para o profissional, o Vale do Taquari é uma região privilegiada nessa matéria, com cerca de 70 leitos, mas, mesmo assim, está sobrecarregada.

Rafael Moreno relaciona o aumento de casos de saúde mental às mudanças no mercado de trabalho em função da covid-19. Pessoas com transtornos psiquiátricos têm mais dificuldade de encontrar emprego, se manter na função e também se equilibrar em cenários incertos.

Outro fator que o médico lembra é a baixa cobertura do SUS em medicamentos para a saúde mental, o que força a um índice maior de internações hospitalares.

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