Lenhador de Taquari relembra tempo em que o machado era sua principal ferramenta

"Derrubar mato hoje é muito pesado, mas nem se compara com o que vivíamos nos anos 70", fala José Araújo


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Foto: Joel Alves

Natural da cidade de Taquari, José Araújo, de 59 anos, segue a profissão do pai: lenhador. Aos nove anos começou a ajudar o pai no corte de mato de acácia e nunca mais parou. Na época eles acampavam junto ao mato a ser derrubado e passavam a semana no local. De maneira improvisada construíam uma cozinha, camas e um banheiro. Hoje a legislação não permite mais que se acampe junto ao mato. Em vez disso, os trabalhadores precisam deixar a área até o anoitecer. “Hoje não podemos mais ficarmos no mato. Passávamos trabalho, mas estávamos sempre juntos”, relembra Araújo.


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Já faz 50 anos que José Araújo trabalha como lenhador. Apesar de ser um serviço braçal e muito cansativo, já houve dias piores. Até a década de 70 os lenhadores derrubavam as árvores com o machado e depois desta década as motosserras começaram a ser introduzidas.

“Derrubar mato hoje é muito pesado, mas nem se compara com o que vivíamos nos anos 70”, diz sorrindo José Araújo. Atualmente um lenhador chega a fazer 40 metros por dia utilizando uma motosserra. Quando utilizavam o machado sua produção diária era de sete metros.

Há um ano da aposentadoria, José Araújo continua trabalhando como lenhador. Nesta profissão criou dois filhos e conseguiu uma boa qualidade de vida e continua morando na localidade de Morro dos Garcia, em Taquari.

“Já pensei várias vezes em mudar de profissão, mas no final sinto que nasci para ser lenhador”, fala orgulhoso José Araújo.

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