Lentilha e feliz Ano-Novo!

Esta leguminosa está ligada à boa tradição italiana de bons negócios, riqueza, dinheiro e felicidades.


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No final de ano cresce o consumo de lentilha, chegando a seis vezes o consumo normal do ano. A causa? A simpatia de quem come lentilha terá um “Feliz Ano-Novo”. Esta leguminosa está ligada à boa tradição italiana de bons negócios, riqueza, dinheiro e felicidades. Fartura na mesa, renovação e renascimento. E não é só o consumo; diz a tradição que colocar num saquinho doze grãos e levar na carteira é sorte o ano inteiro.

A lentilha (Lens esculenta) — subespécie culinaris — é originária da Ásia Central (Cazaquistão e aos redores) e Europa Meridional (banhados pelo Mediterrâneo) e usada desde a pré-história cerca 7000 A.C. Ótimo alimento rico em fibras e proteínas (21ª 25%), vitaminas do complexo B, ferro, zinco, fósforo, enxofre, potássio, magnésio e cálcio. Sua importância na alimentação mundial tem sido incentivada tanto que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) em 2016 a colocou no ‘Ano Internacional da leguminosa” junto com a ervilha e grão de bico para combate da desnutrição. Recomendado como alternativa alimentar, também para quem tem diabetes e intolerância ao glúten. Assunto este que cabe as nutricionistas e médicos.

Sempre foi considerado um grão barato. Na história da bíblia era alimento dos pobres. Hoje seu custo é de alimento nobre. Atualmente, os maiores produtores são Canadá, Turquia, Índia, Paquistão e Síria. O Brasil andou produzindo ao redor de Brasília e serrado em quantidade muito pequenas. Aqui no RS chegou a ser plantado na região colonial, mas a ferrugem praticamente liquidou os plantios nas décadas de 50 e 60. Atualmente, somos importadores do Canadá principalmente e Chile, Argentina e EUA. Em 2019, importamos cerca de 14 mil toneladas a um valor de 11 milhões de dólares. Pesquisa na internet comprar um saco com 45 kg sai R$326,00 mais frete. No mercado o kg é encontrado entre R$12,00 e R$20,00.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vem trabalhando há tempo com esta cultura, inclusive tem duas variedades sendo testada. A Precoz precoce originária da Argentina e a Silvina. Com potencialidade de produtividade de 1.500 kg por hectare. Aqui no Sul é plantada em abril-maio, plantio de inverno com ciclo de 70 a 140 dias. O solo não pode ser ácido e deve ter boa drenagem. Esterco bem curtido, cinza e boa matéria orgânica já é possível produzir bem. Não localizei sementes e o uso das disponíveis no comercio para alimentação são importadas. Quem sabe um contato com a Embrapa seja possível saber mais sobre sementes.

O cultivo comercial nos países produtores é feito com maquinas (como amendoim) e inclusive a colheita. A palhada restante é ótima forragem para animais. Na região de pequenas propriedades tem sido trabalho manual. Há lentilha com grãos marrom ou castanho, vermelha, verdes ou francesas, negras ou belgas.

Além da alimentação, pode ser plantado como ornamental. Podendo ser em vasos, e escoras para subir (50 a 75 centímetros), e canteiros em locais ensolarados ou pelo menos com maior parte do dia no sol. No campo forma tapetes coloridos muito comum na Itália na região de Castelluccio.

Pelo sim pelo não vamos para a lentilhada de final de ano. Aquela temperada, carne de porco, linguiça e bacon e uma batatinha para equilibrar. Ou como queira, a gosto de cada um. Acompanhado de um bom espumante e um vinho de preferência nacional. Feliz Ano-Novo.

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