Lula indica Mantega para equipe econômica, o ex-ministro de Dilma que levou à crise de 2015

Suas políticas conduziram o país à recessão econômica. Mantega também é citado como “Pos-Itália” nas planilhas de propina da Odebrech. Ex-juiz da Lava Jato, Moro não perdeu tempo e alfinetou


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Guido Mantega foi ministro do Planejamento de Lula (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

A primeira semana de um ano eleitoral dá o tom de como serão os embates até o pleito de outubro. Se o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) estão de recesso, as movimentações para a formação dos palanques, na busca pelas melhores colocações para a corrida eleitoral, não param.

O presidente Jair Bolsonaro teve que interromper as suas férias em Santa Catarina por problemas de saúde decorrentes ainda da facada que levou de Adélio Bispo em 2018. A postura de seus filhos e a reação da base do governo indicam que esse assunto ainda está fresco na memória e será utilizado nesta campanha.

Entre os candidatos, a escolha dos membros da equipe econômica é um passo importante, uma sinalização para o mercado financeiro e para a sociedade. Bolsonaro popularizou o termo “Posto Ipiranga” ao se apoiar em Paulo Guedes para falar de economia.

Nesta semana, o jornal Folha de S. Paulo convidou os presidenciáveis a indicar um conselheiro econômico para debater assuntos do Brasil. Lula indicou seu ex-ministro do Planejamento e ministro da Fazenda de Dilma Rousseff Guido Mantega. Foi seu perfil desenvolvimentista e intervencionista que levou o país à crise de 2015, com recessão econômica, algo que Mantega nega.

VÍDEO: Assista ao Direto de Brasília desta quarta-feira

Lula fora criticado por sua base petista raiz com sua sinalização ao centro político com o ex-tucano Geraldo Alckmin de vice. Dilma, sua cria, também se sentiu escanteada, deixada de lado. Ao trazer Mantega para o centro do debate, Lula fala com sua base eleitoral mais fiel. É simbólico.

Por outro lado, abre mais um flanco na frágil posição petista, tanto no histórico de políticas fracassadas como nas credenciais sujas do guru. O ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro não perdeu tempo e alfinetou o conselheiro econômico. Ao utilizar o codinome “Pós-Itália”, o ex-titular da Lava Jato na Justiça Federal lembrou como Mantega era citado nas planilhas de propina da Odebrech. É uma mostra de que Moro vai tentar personificar a pauta anticorrupção e utilizar o trabalho à frente da Lava Jato como um trunfo, buscando polarizar com Lula.

Porém, não dá para desprezar o presidente Bolsonaro e a máquina do governo. Como ressaltei na semana passada, o presidente precisa modular seu discurso se quiser capitalizar boas medidas de seu governo e ter condições de superar a rejeição que as pesquisas indicam.

Terceira via

Hoje, a hipótese de ascensão de uma terceira via parece improvável. Porém, como o cenário eleitoral é bastante dinâmico, não dá para descartá-la de pronto. Em 2018, analistas políticos diziam que o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, com o apoio dos principais partidos do Centrão e com maior tempo de rádio e TV, decolaria nas pesquisas. Mas não aconteceu, e hoje a então terceira via à polarização entre PT e PSDB naquela eleição está no poder.

Desde a redemocratização, o governo de ocasião sempre esteve no segundo turno. O PT também. No entanto, eleição não se decide olhando no retrovisor. É importante observar o presente, como as propostas se conformam com a realidade de momento e qual caminho para o futuro que elas indicam.

Texto por Douglas Sandri, graduado em Engenharia Elétrica, é presidente do Instituto de Formação de Líderes (IFL) de Brasília e assessor parlamentar. Todas as quartas-feiras, participa do quadro “Direto de Brasília”.

3 Comentários

  1. Bah!! Guido “Manteiga” para Ministro da Fazenda… Mas já estão indicando Ministros? Estou achando que Lula gostou de estar “hospedado” em Curitiba.

  2. A crise de 2015 foi criada pela direita por não deixar Dilma governar após vitória nas urnas.

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