Mãe diz que Hospital Estrela negou atendimento a filho com braço quebrado; local informa que não houve a negativa

Situação ocorreu na tarde do último domingo (17). Família tem cartão SUS em Imbé e reside há cerca de um mês em Estrela, o que teria dificultado o andamento do processo


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Menino Pietro ao lado de sua mãe Fernanda. Família preferiu não mostrar o rosto (Foto: Gabriela Hautrive)

Uma situação envolvendo atendimento médico no Hospital Estrela, no município de Estrela, revoltou a mãe do menino Pietro da Silva Birkheuer de 9 anos. Segundo Fernanda da Silva (30), seu filho caiu de bicicleta na tarde do último domingo (17) e quebrou o braço direito. Ele foi levado ao hospital, mas por conta do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) ser cadastrado em outro município, não recebeu o atendimento completo que a família esperava. A mãe alega que a casa de saúde negou a prestação de serviço para a criança. Pietro é natural de Imbé, no litoral gaúcho, e reside há cerca de um mês em Estrela, por isso ainda não foi feita a transferência do documento.


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A reportagem da Rádio Independente questionou o hospital sobre o ocorrido. O gerente administrativo do local, Johnnie Locatelli, informou que o paciente recebeu o atendimento na emergência e que em nenhum momento houve a negativa. “Foi realizado a ficha de atendimento, triado pela enfermagem, atendimento médico, analgesia e Raio-X. Tudo isso ocorreu em menos de uma hora”, relata.

Porém, a mãe da criança diz que a história foi diferente. “A gente não recebeu o atendimento desejado, passamos pela triagem, fomos atendimentos pela enfermeira e logo em seguida a médica veio, mas deu ênfase ao nosso cartão SUS não ser daqui, e por ser domingo, ela não sabia informar muito bem como seria o procedimento”, conta Fernanda.

Gerente administrativo do Hospital Estrela, Johnnie Locatelli (Foto: Tiago Silva / Arquivo)

Segundo ela, as opções que o hospital ofereceu foi uma avaliação particular por um valor que ficaria entre R$ 300 e R$ 600, ou então acionamento de uma ambulância de Imbé, que viria do município para buscar a criança e prestar o atendimento, mas que o Hospital Estrela prestaria o suporte inicial. “Pensei que o primeiro atendimento seria medicação para dor e atendimento com traumato, sendo que automaticamente eles iriam enfaixar o braço do meu filho já que ele estava com o braço quebrado”, conta.

No decorrer do processo, sempre falando do problema em decorrência do cartão do SUS, segundo Fernanda, o menino recebeu remédio para dor e fez o raio-X, mas por conta do documento, foi informado que não teria avaliação com um médico traumatologista. “Eu teria que esperar até a segunda-feira de manhã para fazer a transferência do cartão SUS para, então, passar ele ao traumato e fazer a mobilização do braço. Achei um absurdo, pois a criança estava com dor, segurando o braço, já que estava com ele quebrado”, lembra. Diante do cenário, a mãe pegou o menino e decidiu buscar ajuda em outro local.

Em um primeiro momento entrou em contato com familiares para saber como seria o procedimento em seu hospital de referência, que é em Tramandaí, e então iriam para a cidade. Logo depois, decidiu levar o Pietro para Lajeado. “Cheguei no Bruno Born e meu filho, em menos de uma hora, estava com braço enfaixado, medicado e com prescrição de medicação. Inclusive, quero agradecer o traumato do plantão que estava entrando para uma cirurgia e imediatamente passou meu filho da frente”, conta Fernanda. No local foi informado para a mãe que a transferência do cartão seria necessária posteriormente para acompanhamento médico.

Menino ficará 45 dias com braço enfaixado (Foto: Gabriela Hautrive)

Segundo a família do menino, no Hospital Estrela, foi reforçada inúmeras vezes a informação de que a lei não permitia o atendimento que eles estavam exigindo por conta da origem do documento no Sistema Único de Saúde. “Simplesmente deixar claro que os responsáveis do hospital não deixe mais isso acontecer. Talvez, para alguns, era só um braço quebrado, ele não estava sangrando nem era tão grave, mas era um criança de 9 anos com dor”, entende.

Pietro está bem e se recupera em casa desde o final da tarde de domingo (17), tendo que ficar 45 dias com o braço enfaixado. “Doeu muito na hora, mas agora eu estou me recuperando”, conta o menino.

O Hospital Estrela informou que a ficha do menino foi feita ás 16h03 do dia do atendimento, sendo a triagem às 16h12, o atendimento médico às 16h23 e evasão da família do local às 16h45. Ainda reforçou que como “o cartão SUS do paciente não era de Estrela ou municípios conveniados, precisavam da autorização da prefeitura para continuidade do atendimento pós urgência, e a família não quis aguardar”.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

6 Comentários

  1. Sou contra colocar em cima do cartão o nome da cidade onde foi cadastrado, o meu cartão também é assim. Deveria valer em todo o território nacional, como a carteira de motorista por exemplo.

  2. Por isso a importância da população manter atualizado o seu número do sus, ajudando a cidade onde mora a receber mais recursos para a saúde… porém quem não trabalha na saúde pública não entende.

  3. As pessoas sempre tentando obter o que querem no carteiraço. Se não for feito o quê elas julgam ser o certo (o que nem sempre o é), fazem o maior estardalhaço. Quando me mudei para Lajeado, a primeira coisa que fiz foi me informar o quê seria necessário para a transferência, fiz e deu tudo certo. Aqui reclamam da UPA, do hospital de Estrela, do Bruno Born, do posto de saúde….Deveriam se mudar para os Estados Unidos (dito primeiro mundo) e pagar até para olhar para o médico, aí valorizaram o SUS e seguiriam as regras, ao invés de tentar ganhar tudo no grito. Sentem-se seres iluminados e especiais, que merecem sempre a deferência, enquanto os outros seres comuns pagam os impostos e as contas para o seu deleite. Lembrem-se que perante a lei somos todos iguais.

  4. Sujestão: Aciona judicialmente esse hospital, por danos morais, e mostra para “quem trabalha na saúde pública” a obrigação de atendimento, visto que são serviços, patrocinados com recursos dos impostos que pagamos. Como pode a burocracia, desse hospital, estar acima da dor de uma criança, e a angústia de uma mãe, chega a ser desumano uma história dessa. Boletim de ocorrência, e deveria ter acionado o conselho tutelar imediatamente.
    Pergunta por que o hospital de Lajeado atendeu, de forma imediato, e com prioridade?

  5. Sr. Alexandro, seu comentário revela claramente que você desconhece como o SUS é financiado (sim, porque alguém precisa pagar pelas coisas, ao contrário do que a maioria do povo pensa, de que o SUS é de graça). Além de receber recursos federais, o SUS possui uma parte considerável do seu orçamento sendo bancado pelo Estado e pelas prefeituras. Citando o caso de Estrela, só como exemplo, tem gente de várias cidades vizinhas que fazem umas declarações de residência bem fajutas para fazer cartão do SUS na cidade, que possui hospital um pouco melhor. Ou seja, a prefeitura de uma cidade acaba bancando o atendimento do morador de outra. Não é justo né. Por isso que tem que haver um mínimo de controle, senão a bagunça e a malandragem tomam conta.

    • E dignidade humana, o sofrimento de uma criança, com dor, de mãe desesperada pela situação de seu filho, fica onde? Abaixo do R$$$$? Mundo injusto, com pessoas injustas.

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