Maior hidrelétrica da África gera temor de ‘guerra da água’ no continente

Megaobra no Nilo, construída pela Etiópia, levou a reação de Egito e Sudão, que reclamam de uma possível alteração no fluxo do rio.


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Um dos maiores astros da música da Etiópia, o cantor Teddy Afro lançou no início de agosto a música “Demo Be Abay”, que, na língua local amárico, significa algo como “se nos desafiarem sobre o Nilo”.

“Quando termina a paciência, mesmo o amor vira chamas”, diz um dos versos da canção em ritmo de reggae, enquanto o vídeo, disponível no YouTube, mostra a força das corredeiras do rio Nilo (chamado de Abay pelos etíopes).

O recado pouco sutil é direcionado ao Egito, e o motivo da tensão é a maior obra em construção no continente africano, solenemente chamada de Grande Represa do Renascimento da Etiópia (Gerd, na sigla em inglês).

Iniciada pela Etiópia em 2011, ao custo de US$ 4,9 bilhões (R$ 27,4 bilhões), será a maior hidrelétrica da África e a oitava do mundo, com potência de 6,45 GW, ou quase meia Itaipu. Seu lago, quando cheio, terá uma área do tamanho do município de São Paulo.

A usina fica no Nilo Azul, um dois braços principais do rio. Ela vem sendo bombardeada desde seu projeto inicial pelo Egito e, em menor escala, pelo Sudão, países que recebem as águas após o trecho etíope.

Os dois países dizem temer uma redução no volume de água que poderia ameaçar sua sobrevivência.

Fonte: Folha de SP

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