Mais baleias-jubarte são vistas em maio de 2021 no litoral de SC do que nos últimos 20 anos

Anomalia na temperatura do mar pode ter influenciado na presença dos animais, segundo Epagri/Ciram. Ao menos 13 foram avistadas neste mês


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Baleia-jubarte avistada em Florianópolis no domingo (23) (Foto: Emanuel Ferreira/R3 Animal)

Mais baleias-jubarte estão sendo avistadas em maio de 2021 no litoral catarinense do que no mesmo mês dos últimos 20 anos, segundo o Instituto Australis/ProFranca, que monitora e trabalha para proteção de baleias.

“Nunca tivemos tantas avistagens de jubarte assim perto da costa por tanto tempo”, afirma a bióloga Karina Groch, que coordena o projeto.

“Este ano, não se compara: é a primeira vez que há tantas avistagens de jubarte desde sempre, desde que a gente atua na região. Assim, como este ano, de termos tantas delas próximo da costa, de poder ver a partir de terra e receber tantos registros, nunca tinha acontecido”, diz Karina.

Entre as possíveis causas para o aumento pode estar uma anomalia na temperatura da água, segundo informou o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) na sexta (28) (veja mais abaixo).

O mergulho de uma dessas jubartes foi flagrado na região da Ilha do Campeche na quinta (27) na capital- veja no vídeo acima. Só no último domingo (23), 13 foram vistas em Florianópolis. Elas também apareceram neste mês em Imbituba, no Sul catarinense, e em São Francisco do Sul, no Norte.

O trabalho para proteção de baleias-francas na região Sul completa 40 anos em 2022. Neste período, outras espécies foram monitoradas. “Mas mais sistematicamente, que a gente está presente direto aqui ao longo de toda a temporada da baleia-franca, é desde o início dos anos 2000. Então desde ali a gente não tinha visto tanta baleia-jubarte como agora neste mês de maio”, detalha Karina.

Para não assustar o animal, desligou o motor da embarcação. “Frequento aqui [Ilha do Campeche] todos os anos, acabo tendo essa sorte quase todos os invernos. […] Essa foi a primeira que veio perto”, disse.

As imagens feitas por ele e também por outras pessoas na região, assim como registros dos próprios pesquisadores, são analisados. Assim, é possível saber se o mesmo individuo foi visto em locais diferentes, definir números e também obter outras informações que ajudam no trabalho de conservação da espécie. Além de acompanhar as jubartes, o Instituto, junto com diversas outras entidades, integra a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, espécie foco do projeto.

“As francas normalmente chegam a partir de julho, mas algumas podem aparecer antes, ainda em junho, então estamos ainda esperando. As jubartes nos pegaram de surpresa”, conta a coordenadora. Em 2020, menos baleias-francas estiveram em Santa Catarina em comparação ao ano anterior.

Fonte: G1

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