Marco Aurélio Mello: “Sistema da urna eletrônica preserva, acima de tudo, a vontade do eleitor”

Ex-ministro do STF se aposentou no último dia 12 de julho após 31 anos no Supremo. Ele concedeu entrevista exclusiva à Rádio Independente nesta quarta-feira (21)


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Última participação do decano em sessão do STF ocorreu em 1º de julho (Foto: Divulgação / STF)

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, conhecido nacionalmente pelos votos discordantes e isolados, pelas frases fortes e críticas aos colegas no plenário, concedeu entrevista exclusiva à Rádio Independente nesta quarta-feira (21).

Depois de 31 anos ocupando uma cadeira na maior instância do poder judiciário, o decano — ministro mais antigo da Corte — se aposentou no último dia 12 de julho, quando completou 75 anos de idade. Ele chegou ao Supremo em 13 de junho de 1990, indicado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, seu primo. Foi o primeiro integrante da Justiça do Trabalho a atuar no STF.

Entre os assuntos abordados no programa Panorama, esteve a suspeita de fraude nas eleições de 2014, citada pelo presidente Jair Bolsonaro.

“O que nós tínhamos até 1996? Um sistema por cédulas. Aí se sucediam as impugnações às eleições aos eleitos.” A partir deste ano, segundo Mello, não ocorreu nenhuma impugnação improcedente. “O sistema da urna eletrônica preserva, acima de tudo, a vontade do eleitor”, destaca.

“Em 2014, tivemos uma eleição legítima, assim como foi a eleição do presidente da República.” “Eu admito que à época tivemos, em 2018, o plebiscito a favor, ou contra, o PT. Muitos votaram em Jair Bolsonaro para não ter o PT de volta. Agora teremos eleições em 2022. E aí, que o governo presente, preste conta aos contribuintes e aos eleitores em 2022, e que se observe a vontade da maioria. A ironia está em a impugnação ao sistema partir daquele que foi eleito mediante a este sistema”, diz o ex-ministro.

Na terça-feira (20), Bolsonaro afirmou que irá comprovar, na próxima semana, a existência de fraude nas eleições presidenciais de 2014, que, segundo ele, resultariam na vitória do candidato derrotado no segundo turno daquela disputa, Aécio Neves (PSDB-MG), contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Assista à entrevista na íntegra

 

“Golpe de mestre”: Mello aprova indicação de André Mendonça ao STF

Bolsonaro oficializou a indicação do advogado-geral da União, André Mendonça, para a vaga de Mello, no dia 13 de julho. O escolhido precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado.

Para o ex-ministro, Bolsonaro deu um “golpe de meste”, porque “ele acabou favoreceu a caminhada da boa figura que é o André Mendonça para o Supremo, ao antecipar a colocação da recondução de Augusto Aras.” “Essa medida foi um ato de inteligência.”

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

1 comentário

  1. Por esse raciocínio, se verifica a distância do poder judiciário, em especial o STF, em relação a sociedade. Só na cabeça dele, pois tudo que faz, paga, compra, tem um comprovante. Uma passagem de ônibus, por exemplo, uma conta que vc pagou, a forma de comprovação é o comprovante. Menos no voto. Aí tem…

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