Maria Gadú, Vitão e Alok visitam acampamento indígena em Brasília

Decisão sobre a ação movida pelo governo catarinense contra o povo Xokleng servirá de diretriz para o governo e para a Justiça


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O Supremo Tribunal Federal (STF) deve iniciar nesta quinta-feira (26) o julgamento do marco temporal para demarcação de terras indígenas. Para pressionar o judiciário, 6 mil indígenas, de 170 povos, estão acampados em Brasília, e receberam, essa semana, a visita e o apoio de artistas. Maria Gadú, Alok e Vitão foram alguns dos famosos a irem até o local do acampamento, localizado a 2 quilômetros da Praça dos Três Poderes.

“O Brasil é indígena, sempre foi e sempre será. Chega de desumanidade e injustiça. Demarcação já“, escreveu Vitão na legenda de uma foto em que aparece sendo tietado pelos integrantes do acampamento.

Alok fez vídeos e fotos falando para os indígenas, com uma bebê no colo. Em discurso, ele defendeu o movimento. “Eu não estou aqui por causa de nenhum partido político. Eu estou aqui por causa de vocês. A causa de vocês é minha. A gente pode desenvolver muito economicamente preservando a natureza”, disse Alok.

Além de apoiar presencialmente a causa dos povos indígenas, Maria Gadú compartilhou um vídeo gravado por ela com outros artistas em que explica porquê o julgamento é tão importante. “O julgamento é marcante para a causa indígena no país porque, em 2019, a Corte deu status de repercussão geral ao processo. Ou seja, a decisão que for tomada pelos ministros do STF será aplicada em todas as disputas semelhantes envolvendo demarcações”, escreveu Gadú.

“No recurso ao STF, o governo catarinense apela à tese ruralista do “marco temporal”, que defende que os indígenas só podem reivindicar terras que já ocupavam em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Essa proposta é verdadeiro absurdo, pois sabemos que muitas comunidades foram expulsas de seus territórios originais antes de 1988”, completou a artista.

Entenda

A votação da ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng, referente à TI Ibirama-Laklãnõ, onde também vivem os povos Guarani e Kaingang, deveria ser analisado nesta quarta-feira (25). No entanto, como o julgamento sobre a independência do Banco Central ainda não havia terminado, o tema foi alocado na sessão seguinte, ou seja, nesta quinta-feira (26).

Fonte: Matrópoles


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