Marines, a mulher na construção civil: “Eu era a servente para dois, três homens”

Marines Fontanive trabalhou como servente de pedreiro de 1978 até este ano, quando se aposentou. Atualmente, atua fazendo faxina em casas de famílias. Ela diz que nunca sofreu preconceito na área.


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Trabalhadora da construção civil Marines Fontanive (Foto: Rodrigo Gallas)

No programa Panorama desta sexta-feira (31), no quadro “Sem Preconceito”, conversamos com Marines Fontanive. Ela falou sobre os desafios de quem trabalha na construção civil. Marines trabalhou como servente de pedreiro de 1978 até este ano, quando se aposentou. Atualmente, trabalha fazendo faxina em casas de famílias. Também é presidente da Associação de Moradores do Bairro Campestre, em Lajeado.

Ela começou atuando em obras a convite do seu irmão e sobrinho que eram pedreiros. “Faltava servente, e eu disse que vou. Adoro fazer este tipo de trabalho. Daí botei a mão na massa.”

Conta que nunca trabalhou com outra mulher, e diz que não deixava os pedreiros pararem. “Eu era a serventa para dois, três homens.” No início da função o trabalho era mais braçal. Para fazer a massa utilizava-se uma caixa com enxada, onde misturava-se o cimento, areia e água. “A gente se alimentando bem, perigo não tem”, brinca.


ouça a entrevista

 


 

Marines comenta que sempre escutou as pessoas falarem: “como uma mulher pode estar trabalhando num serviço pesado.” Sua resposta: “Tem que gostar.”

Relata que nunca sofreu com preconceito na área. As pessoas sempre olharam com ‘bons olhos’ para seu trabalho. “Achavam até legal, e chegavam dizendo que a mulher tem mais capricho, não mata tempo, é mais detalhista. Graças a deus nunca teve preconceito.” O trabalho que mais gostava é de sentar o azulejo.

Atualmente, Marines não trabalha regularmente na construção civil, mas diz que “se precisar eu to indo”. Ela ainda atua como servente de pedreiro em obras da comunidade onde reside.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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