Médico explica como funciona os processos de doação de órgãos em vida e após a morte

No Brasil, cerca de 40 mil pessoas aguardam na fila por uma doação, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.


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Médico intensivista Nelson Barbosa Franco

A campanha Setembro Verde é realizada neste mês com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância de ser um doador de órgãos. No Brasil, atualmente, cerca de 40 mil pessoas aguardam na fila por uma doação, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Durante a pandemia da Covid-19, o Brasil teve uma redução de aproximadamente 30% no número de doadores e de cerca de 45% no de transplantes em relação ao primeiro trimestre de 2020, de acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes.

Em entrevista ao programa Troca de Ideias desta terça-feira (29), o médico intensivista Nelson Barbosa Franco, coordenador da OPO6 do Hospital Bruno Born em Lajeado, ressaltou a importância de a família conversar sobre a possibilidade de ser um doador. “Se a família souber do desejo, o momento não vai ser tão doloroso”, nota. O OPO6 tem como objetivo exercer atividades de identificação, manutenção e captação de potenciais doadores para fins de transplantes de órgãos e tecidos na região do Vale do Taquari.


ouça a entrevista

 


Barbosa Franco detalhou como funciona o processo de doação. De acordo com ele, há dois tipos: em vida e após a morte. No primeiro caso, ocorre quando uma pessoa saudável doa um órgão para outra. É viável para alguns órgãos como rim, fígado e pulmão, e a legislação brasileira autoriza o transplante com doador vivo entre parentes de até quarto grau; pessoas sem parentesco podem doar somente com autorização judicial.

A maior parte dos transplantes no Brasil é realizada com doadores falecidos, quando há morte encefálica (interrupção irreversível das atividades cerebrais). Geralmente ocorre quando em pessoas que sofreram acidente com traumatismo craniano ou que sofreram acidente vascular cerebral, quadros que evoluíram para morte encefálica. Nestas situações, pode ser doado qualquer tipo de órgão ou tecido, incluindo córneas e pele, entre outros.

O diagnóstico da morte encefálica é feito entre 12 e 24 horas, após uma série de procedimentos e exames clínicos, explica o coordenador do OPO6. Após é feita avaliação de condições dos órgãos para doação e pedida autorização da família. Se a família consente, os exames vão para a central de transplantes do estado, em Porto Alegre, que inicia a busca por receptores compatíveis, uma ação que pode chegar a até 12 horas.

“Não se consegue um receptor de uma hora para outra, até ativar as equipes e as pessoas que estão na lista de espera”, pondera Barbosa Franco.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

 

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