Um menino de quatro anos, morador do Bairro São Bento, em Lajeado, aguarda desde 2015 pela realização de uma cirurgia de fimose pelo Sistema Único de Saúade (SUS). Ele foi encaminhado para o Instituto de Educação e Saúde Viva (ISEV), de Taquari, referência para o procedimento na região. A operação foi marcada para o dia 02 de maio, no entanto, quando o garoto estava no bloco cirúrgico, a unidade anunciou que não faz a intervenção em crianças. A mãe cobra respostas da prefeitura.

O processo começou quando o menino tinha cerca de três anos, sob indicação da pediatra que atende a Estratégia Saúde da Família (ESF) do São Bento. Desde o início, o caso foi tratado no instituto, que fica a aproximadamente 1 hora de Lajeado. A última consulta ocorreu em 21 de março, quando a cirurgia foi marcada. A mãe do menino, Simone da Silva, diz que “implorou para que o médico agendasse a operação”. O menor sente dores, o que preocupa a mãe.

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No dia 02 de maio, mãe e filho deixaram Lajeado por volta das 5h. A cirurgia estava marcada para as 10h, mas a demora na preparação chamou a atenção dela. “Meu filho fazia jejum de oito horas, já estava com sede e fome, e eles só diziam que estava atrasado”, conta. Eles foram chamados às 17h, “mas antes de chegar no bloco, o médico anunciou um equívoco e disse que não poderia realizar a cirurgia porque não era pediatra”, afirma. A operação deveria ser feita em Lajeado ou Porto Alegre.

Perplexa com a afirmação, Simone questionou o profissional, dizendo que sempre consultou no instituto de Taquari. Em contrapartida, o médico garantiu que o erro foi cometido pela Secretaria de Saúde de Lajeado. A mãe teme voltar à fila de espera, tendo que repetir todos os exames, além de esperar mais para uma nova marcação.

Mãe está desempregada

Com saídas frequentes, Simone foi demitida da fábrica de calçados em que trabalhava, na cidade de Santa Clara do Sul. Ela justifica que as consultas eram marcadas sem antecedência, fazendo com que não conseguisse avisar sobre a falta. “O patrão disse que precisava de alguém e que eu nunca estava lá. Toda a nossa rotina mudou e agora estou desempregada. Como vou assinar a carteira sendo que não sei quando voltarei a ser chamada no hospital?”, questiona. Simone mora com o menino e mais uma filha de 11 anos.

Secretaria de Saúde afirma que instituto errou

Para o secretário de Saúde de Lajeado, Tovar Grandi Musskopf, o instituto tem condições de realizar a cirurgia. Ele afirma que um anestesista poderia ter resolvido o impasse. “É um procedimento simples e que pode ser realizado em criança. O detalhe é que o menor precisa ser sedado”, garante.

Musskopf argumenta que o anúncio deveria ter sido feito antes da marcação. “O hospital nem deveria ter agendado e informado que não conseguiria. Assim voltariam para Lajeado, que resolveria de outra forma”, aponta. A ocorrência foi remetida à 16ª Coordenadoria Regional de Saúde, visto que o governo do Rio Grande do Sul indicou o hospital como referência.

O menino será incluído no Sistema de Gerenciamento de Consultas (GERCON), em Porto Alegre, na tentativa de autorizar a cirurgia. Como se trata de uma operação simples, ele poderá ser remetido novamente a Taquari. A decisão cabe ao Estado.

Entenda a patologia

Fimose é o excesso de pele que impede a exposição da glande, parte terminal do pênis. Como o prepúcio não pode ser retraído, a fimose pode causar dificuldade em urinar, aumentando o risco de infecção urinária, dificultando a limpeza da região e aumentando o risco de infecções. Se  não ser corrigida com pomada e massagem, a fimose precisa ser combatida com cirurgia. NR

1 comentário

  1. Mas dai pessoas com cirurgias estéticas, pra aumentar somente o próprio ego, essas são feitas diariamente! Brasil = vergonha

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